Conferência em Vitória nos dias 25 e 26 de junho aborda financiamento climático, mercado de carbono, energia e cidades resilientes para 2026
Por Luciana Almeida
A discussão sobre mudanças climáticas entra agora em uma etapa voltada à execução de projetos e ao fortalecimento da governança ambiental. Com uma série de encontros previstos para 2026, o Instituto Sustentabilidade Brasil busca transformar o diálogo iniciado na COP30 em iniciativas permanentes, defendendo maior integração entre governos, setor produtivo e sociedade para enfrentar os desafios da crise climática.
O pós-COP30 já começou a ser estruturado pelo Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB). A próxima edição da Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil terá início em Vitória, nos dias 25 e 26 de junho, no campus da Ufes. A programação será dividida em quatro trilhas temáticas: financiamento climático e mercado de carbono, biomas como infraestrutura climática, transição energética justa e cidades e costa resilientes.
Outras etapas também estão previstas para Natal (RN) e Campina Grande (PB), ampliando os debates sobre desertificação, segurança hídrica, biopirataria e resiliência urbana. Os resultados das discussões devem subsidiar a participação do instituto na Climate Week NYC e na COP31, prevista para acontecer em Antalya, na Turquia, em novembro de 2026.
Para Daniela Klein, diretora técnica do Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB), um dos principais desafios é aproximar sustentabilidade, economia, setor produtivo e gestão pública. Ela avalia que ainda existe resistência de empresas e gestores em participar de debates mais amplos e diversos sobre a crise climática. “Muita gente desiste de participar porque tem medo do contraditório, da exposição e de ser questionada publicamente sobre o que faz ou deixa de fazer”, afirma.
A diretora também chama atenção para o papel da sociedade civil no enfrentamento ao chamado greenwashing, prática em que empresas divulgam ações ambientais enganosas ou exageradas. Segundo ela, um estudo de 2024 apontou que 85% das alegações ambientais presentes em produtos brasileiros são falsas ou enganosas. “A sociedade civil conhece o território e consegue perceber quando o discurso não bate com a prática. Greenwashing prospera onde não há parâmetro e onde não há quem cobre”, explica.
Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

