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Agro avança, mas manejo do solo ainda exige atenção; veja

Uso inadequado do solo no agro, perda de matas ciliares e mudanças climáticas desafiam produção e preservação no Espírito Santo

Por Daniel Hirschmann

Os avanços recentes na adoção de tecnologias de irrigação e no uso mais eficiente da água na agricultura capixaba não eliminam um ponto crítico: a necessidade de preservar o solo e os ecossistemas que garantem a qualidade e a disponibilidade dos recursos hídricos. Especialistas alertam que práticas inadequadas no campo e o desmatamento ainda representam riscos importantes para a sustentabilidade da produção.

Na opinião do professor do Departamento de Engenharia Rural do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Giovanni de Oliveira Garcia, a prática de pecuária extensiva em regiões que não têm essa aptidão, como áreas montanhosas no sul do estado, é um problema. Ele explica que, para a pecuária de corte, em alguns casos, é necessário preparo de solo para a formação de pastagens, mas esse manejo nem sempre é feito de forma adequada. “Na primeira chuva, essa camada de solo que não foi preparada e o solo que já está em processo de degradação são carreados para o leito do rio”, afirma. O resultado são águas barrentas, assoreamento de rios e a perda de uma camada fértil da superfície do solo.

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Para o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Ênio Bergoli, independentemente da atividade – seja pecuária ou agricultura – um problema a ser combatido é o desmatamento de matas ciliares nas margens dos rios. Nesse sentido, ele destaca que o Espírito Santo registrou avanços nas últimas décadas. “Nós temos 29% de cobertura florestal no Espírito Santo. Se você observar 1992, quando houve a conferência Rio 92, eram 12%. Nós estamos com 29% de cobertura florestal. São dados da Fundação SOS Mata Atlântica”, frisa.

Ele acrescenta que as propriedades acima de quatro módulos fiscais que fizeram inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), com adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), devem apresentar planos de recuperação de áreas de preservação permanente, especialmente nas margens de rios e encostas. “Com isso, nós vamos crescer ainda mais a nossa cobertura florestal. Cumpridas essas metas, que estão no Código Florestal, nós vamos chegar a 38% de cobertura florestal, protegendo nascentes e margens de rios”, prevê.

Outras preocupações

Bergoli explica que os produtores da agricultura familiar ainda não têm prazo definido para a apresentação de planos de recuperação ambiental. Por outro lado, estão no foco da academia, que identifica nesse grupo um desafio importante, segundo o professor Giovanni Garcia.

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“A adoção de tecnologias sustentáveis ainda varia entre os agricultores. Grandes produtores tendem a buscar inovações para reduzir custos e melhorar a produtividade, enquanto pequenos agricultores, muitas vezes, carecem de acesso a informações e tecnologias adequadas”, explica. Esse é um dos desafios que a academia busca enfrentar, promovendo a disseminação do conhecimento técnico.

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As mudanças climáticas também são uma preocupação crescente. Garcia avalia que a agricultura e a pecuária devem sentir impactos, especialmente em função do zoneamento agroclimático de culturas. “Se o clima da região tende a sofrer alguma alteração, isso também tende a causar mudanças nos padrões de cultivo”, comenta. Da mesma forma, a criação de animais adaptados a diferentes condições climáticas pode ser afetada por variações de temperatura, “caso as mudanças climáticas se confirmem”.

Do lado do governo estadual, o tema também mobiliza ações. O Espírito Santo conta com um plano de adaptação às mudanças climáticas, coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), envolvendo órgãos públicos e a iniciativa privada.

“São muitos fatores do clima – e não só chuva, ou falta de chuva, mas a temperatura também – que afetam o dia a dia das pessoas e a agricultura. Por isso, temos um plano de Estado para adaptação às mudanças climáticas, como forma de conviver, se adaptar e mitigar esses efeitos”, afirma o secretário Ênio Bergoli.

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Essa matéria é uma republicação da Edição 222 da Revista ES Brasil — Anuário Verde: Água. Confira a revista digital completa clicando neste link.

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