Gestor do Parklog, Anderson Abreu diz que ferrovia precisa deixar de ser vista como obra isolada para ser instrumento de competitividade logística
Por Kikina Sessa
Formatado para ser um programa que planeja a infraestrutura da região do entorno do município de Aracruz, no Litoral Norte capixaba, o Parklog une governo, setor produtivo e operadores logísticos com o objetivo de transformar logística em vantagem competitiva permanente para o Espírito Santo.
Gestor do programa, Anderson Abreu, que desde outubro está à frente das ações do Parklog, comenta que ferrovia é um eixo estratégico para o Parklog, olhada numa perspectiva de integração aos portos e às rodovias.
“Ferrovia precisa deixar de ser vista como obra isolada para ser instrumento de competitividade logística. Essa carteira ferroviária capixaba contém hoje dois grandes projetos estratégicos. Um deles é o contorno ferroviário de Belo Horizonte, a Ferrovia Centro-Atlântica. Esse contorno introduz um aumento da competitividade do Espírito Santo, que é um estado de vocação portuária, e o impacto logístico é direto para o corredor de exportação capixaba. Por isso, o tema está no radar do Parklog”, disse.

O outro item da carteira ferroviária capixaba citado pelo gestor diz respeito ao ramal de Piraqueaçu, em Aracruz. “Temos tido relações institucionais e estratégicas com a Vale. A agenda com a Vale envolve estudos para recapacitação do ramal Piraqueaçu, que é o ramal da Estrada de Ferro Vitória-Minas. O objetivo é que a gente tenha com a Vale um alinhamento técnico e institucional para que esse projeto possa avançar”, ressalta Anderson.
Para ambos os projetos da carteira ferroviária capixaba citados, um com a VLI, que é a renovação da FCA, e outro com a Vale, no Piraqueaçu, o gestor do Parklog avalia que “o governo do Estado tem tido uma participação decisiva e bem alinhada com os interesses do Estado e também na manutenção de uma boa relação com a Vale e a VLI, que são parceiras estratégicas do Espírito Santo já faz muito tempo e continuarão a ser”, disse Anderson, que já trabalhou tanto na Vale quanto na VLI e conhece bem a logística ferroviária do Espírito Santo.
Prioridades
Para 2026, o Parklog já tem governança e orçamento aprovados, bem como as prioridades estratégicas para 2026.
Apesar de não informar o valor previsto no orçamento do Parklog para 2026, Anderson destacou que as frentes prioritárias que vão ser desenvolvidas por meio do orçamento estão relacionadas à infraestrutura para organizar rodovias, ferrovias e conexões portuárias, ou seja, uma visão de multimodalidade, e também uma frente que olha a questão da segurança institucional para garantir conformidade concorrencial.
Considerado o maior programa estruturante em andamento no Espírito Santo, o Parklog ES já recebeu R$ 5,3 bihões em investimento, sendo R$ 1,3 bilhão do governo do Estado, R$ 4 bilhões da iniciativa privada, e deve receber nos próximos 10 anos mais R$ 7 bilhões, sendo R$ 1 bilhão em recursos públicos e R$ 6 bilhões privados.

