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Lipedema: quando a dor não aparece nas fotos

Lipedema: quando a dor não aparece nas fotos

Procedimento cirúrgico melhora mobilidade e qualidade de vida para mulheres com lipedema avançado

Por Patricia Lyra

Durante anos, milhares de mulheres ouviram a mesma recomendação: faça dieta, pratique exercícios e tenha mais disciplina. Muitas seguiram à risca cada orientação. Emagreceram, mudaram hábitos, investiram em atividade física e, ainda assim, continuaram convivendo com pernas doloridas, sensação constante de peso, hematomas frequentes e um volume corporal desproporcional que parecia não responder a nenhum esforço.

A campanha Junho Roxo, movimento voltadao à conscientização sobre o lipedema, nos convida a discutir não apenas o diagnóstico da doença, mas também as desinformações que ainda cercam seu tratamento. 

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Hoje sabemos que, em muitos desses casos, o problema não era alimentação desregrada, falta de atividade física ou outros hábitos não saudáveis. Era lipedema.

Apesar dos avanços no diagnóstico e na conscientização sobre a doença, ainda existe uma percepção equivocada que acompanha muitas pacientes: a ideia de que a cirurgia para lipedema seria apenas um procedimento estético.

Na prática, essa visão está longe da realidade.

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O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de tecido adiposo, principalmente em pernas e braços, associado a sintomas como dor, sensibilidade aumentada, inchaço e limitação funcional. Dependendo da evolução do quadro, atividades simples do dia a dia podem se tornar mais difíceis. Caminhar mesmo curtas distâncias, permanecer muito tempo em pé ou praticar exercícios físicos passa a exigir um esforço cada vez maior.

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É importante destacar que a cirurgia não é a primeira etapa do tratamento. O manejo do lipedema envolve uma abordagem multidisciplinar que inclui acompanhamento médico, atividade física orientada, fisioterapia, estratégias nutricionais, terapias compressivas e mudanças no estilo de vida. No entanto, existem situações em que essas medidas, embora fundamentais, não são suficientes para controlar os sintomas e impedir a progressão da doença.
Nesses casos, a cirurgia passa a ser considerada uma alternativa terapêutica.

O objetivo do procedimento não é apenas remodelar o contorno corporal. O que buscamos é remover o tecido doente responsável por boa parte das limitações enfrentadas pela paciente. Quando bem indicada, a cirurgia pode contribuir para a redução da dor, melhorar a mobilidade, facilitar a prática de exercícios e proporcionar mais autonomia para as atividades cotidianas.
Talvez o aspecto mais transformador do tratamento não seja aquele que aparece nas fotografias de antes e depois.

O que mais chama atenção costuma ser aquilo que não aparece nas imagens: a paciente que volta a caminhar sem desconforto, que consegue brincar com os filhos sem sentir dor, que retoma atividades abandonadas há anos ou que finalmente entende que seu corpo não estava “falhando” por falta de esforço.

Por isso, falar sobre cirurgia para lipedema exige uma mudança de perspectiva. Quando reduzimos o debate à aparência física, ignoramos o impacto real que a doença exerce sobre a saúde e a qualidade de vida de milhares de mulheres.

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A estética pode até ser uma consequência positiva do tratamento. Mas, para quem convive diariamente com a dor e as limitações impostas pelo lipedema, o maior resultado costuma ser outro: recuperar a liberdade de viver com mais conforto, funcionalidade e bem-estar.

Neste Junho Roxo, mais do que ampliar o conhecimento sobre a doença, é fundamental promover uma compreensão mais ampla sobre seus tratamentos. Reconhecer que a cirurgia, quando bem indicada, pode representar um recurso terapêutico importante é também reconhecer o direito dessas pacientes a uma vida com menos dor, mais mobilidade e mais qualidade de vida.

Afinal, o maior resultado desse tratamento não está apenas na transformação física. Está na possibilidade de devolver autonomia, conforto e bem-estar a mulheres que passaram anos convivendo com limitações que jamais deveriam ser consideradas normais.

Patricia Lyra é médica cirurgiã plástica e referência no tratamento do lipedema

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