Sistemas que não se comunicam geram retrabalho, aumentam custos e dificultam decisões em hospitais e clínicas
Por Nathanael Rodor
A transformação digital avança no setor de saúde, mas um obstáculo ainda limita os ganhos de eficiência de hospitais e clínicas: a falta de integração entre sistemas. Prontuários eletrônicos, laboratórios, faturamento, estoques e plataformas financeiras frequentemente operam de forma isolada, dificultando o compartilhamento de informações e a gestão das instituições.
A fragmentação dos dados gera impactos que vão além da área administrativa. Informações dispersas podem comprometer o acesso ao histórico dos pacientes, aumentar riscos operacionais e dificultar decisões clínicas e gerenciais. Segundo o Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Saúde (Conass), a ausência de bases de dados integradas ainda é uma realidade em grande parte das organizações de saúde brasileiras.
Para enfrentar esse cenário, empresas de tecnologia têm investido em plataformas de interoperabilidade capazes de conectar diferentes sistemas sem a necessidade de substituir as estruturas já existentes. A solução desenvolvida pela Globalsys utiliza plataformas low-code e conectores especializados para integrar prontuários eletrônicos, laboratórios, sistemas financeiros, ERPs, faturamento e outras aplicações utilizadas no ambiente hospitalar, permitindo o compartilhamento de informações em tempo real entre diferentes áreas da instituição.
Para o especialista em transformação digital e CSO da Globalsys, Eduardo Glazar, o principal prejuízo causado pela falta de integração não está apenas no retrabalho, mas na qualidade das informações disponíveis para a gestão. “O grande problema é a inconsistência dos dados. Quando as informações não são coesas, você perde velocidade na tomada de decisão e compromete a capacidade de análise da instituição”, afirma. Segundo ele, sistemas desconectados também exigem mais esforço das equipes e elevam custos operacionais e de processamento.
O tema ganhou relevância à medida que hospitais e grupos de saúde ampliaram suas estruturas e passaram a operar com múltiplos sistemas. “Muitos grupos cresceram por meio de fusões e aquisições e passaram a conviver com tecnologias diferentes dentro da mesma organização. O desafio não é apenas digitalizar processos, mas garantir que todas essas informações estejam conectadas e disponíveis para apoiar decisões mais rápidas e assertivas”, destaca Glazar.
De acordo com o executivo, instituições que conseguem integrar seus dados tendem a reduzir horas dedicadas a tarefas repetitivas, melhorar a qualidade das informações e otimizar recursos tecnológicos. “Quando a integração é bem construída, há ganhos de eficiência, redução de custos e mais confiança nos dados utilizados para gestão e tomada de decisão”, conclui. Com a transformação digital avançando no setor, a interoperabilidade tem se consolidado como um dos principais caminhos para aumentar a eficiência operacional e a sustentabilidade financeira das organizações de saúde.


