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A coragem de falar, a responsabilidade de cuidar

Setembro Amarelo é um lembrete poderoso: cuidar da vida deve ser diário

A coragem de falar, a responsabilidade de cuidar

Por Márcio Almeida

Todos os anos, quando chegamos a setembro, a cor amarela ganha novos significados. Ela ilumina prédios, ruas e campanhas como símbolo de vida, esperança e prevenção ao suicídio. Mas o Setembro Amarelo não pode ser apenas um mês de lembrança: deve ser um chamado para a ação permanente.

O suicídio é um problema de saúde pública que afeta famílias, comunidades e todo o tecido social. No Brasil, são cerca de 14 mil mortes por ano, o equivalente a 38 por dia, segundo dados do Ministério da Saúde. Mais do que números, falamos de histórias interrompidas, de pessoas que não encontraram espaço para partilhar sua dor. Como médico, professor e gestor na área de saúde, aprendi que os dados só têm valor real quando nos mobilizam a transformar práticas e atitudes.

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Falar sobre suicídio ainda é um desafio. O estigma, os preconceitos e a dificuldade de lidar com a vulnerabilidade emocional empurram o tema para o silêncio. No entanto, o silêncio nunca salvou vidas. É o diálogo, aberto e respeitoso, que abre caminhos para que alguém em sofrimento possa pedir ajuda. Desmistificar crenças é essencial: falar sobre o assunto não incentiva o ato, ao contrário, pode ser a oportunidade de aliviar a angústia e de mostrar que não se está sozinho.

Também é preciso estar atento aos sinais. Mudanças no humor, isolamento, alterações no sono e no apetite, perda de interesse em atividades antes prazerosas ou falas carregadas de desesperança podem indicar que alguém precisa de apoio. Esse apoio não exige respostas prontas, mas sim presença e empatia. Validar o sofrimento, evitar julgamentos e incentivar a busca por ajuda profissional são atitudes simples, mas que podem salvar vidas.

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Aqui entra a importância da psicoterapia e do acompanhamento multiprofissional. A escuta qualificada permite compreender os fatores que alimentam o sofrimento, fortalece recursos internos e ajuda na construção de novas perspectivas. Em casos de risco, a atuação integrada entre psicólogos, médicos e outros profissionais é indispensável. Na Bluzz Saúde, acreditamos no cuidado integral e integrado, porque saúde mental não pode ser tratada de forma isolada, e sim como parte essencial da saúde como um todo.

Como sociedade, precisamos reconhecer que a saúde mental é um direito de todos e um dever coletivo. Empresas, escolas, governos e famílias devem se engajar em criar ambientes mais saudáveis e abertos ao diálogo. Não é apenas sobre evitar mortes, mas sobre promover vidas com mais dignidade, sentido e pertencimento.

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O Setembro Amarelo nos lembra que prevenir é, sobretudo, cuidar. E cuidar significa estar disponível, ouvir com atenção, acolher sem julgar e encaminhar para ajuda especializada sempre que necessário. Que possamos, juntos, transformar o mês em um ponto de partida para um compromisso diário: o de valorizar a vida em todas as suas formas.

Márcio Almeida é CEO da Bluzz Saúde.

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