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“Faça amor, não faça guerra”

“Faça amor, não faça guerra”

John Lennon, que parecia entender mais de política cantando do que muitos políticos discursando, resumiu tudo com simplicidade: Faça amor, não faça guerra

Por André Gomyde

O mundo anda diferente. Não é impressão sua, nem efeito colateral do café fraco da manhã. Algo mudou. Parece que estamos assistindo, meio sentados no sofá, meio com a pipoca no colo, ao rascunho de uma nova ordem política, econômica e social. Daquelas que não avisam quando começam, mas que, quando a gente percebe, já mudaram os móveis de lugar.

As três grandes potências do planeta dão a sensação de que sentaram numa mesa invisível, abriram um mapa-múndi e disseram algo como: “Então, vamos dividir isso aqui?”. Um fica com um terço, outro com outro terço, o terceiro com o último pedaço – e o resto do mundo fica tentando entender se sobrou alguma migalha ou só a embalagem.

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Do lado de lá, um gigante oriental com paciência milenar e planejamento de longo prazo. Do outro, uma potência que muda de humor a cada eleição, mas continua mandando na trilha sonora do planeta. E ali no canto, um velho jogador que já viu impérios caírem e insiste em lembrar que ainda está no jogo. Tudo muito civilizado, claro. Ao menos na superfície.

E a Europa? Ah, a Europa parece aquele grupo de amigos que, depois de muitos anos, resolve dividir apartamento. Será que vira um país só? Uma bandeira só? Um exército só? Ou continuará sendo esse condomínio elegante, cheio de história, cafés charmosos e longas reuniões para decidir o tamanho da colher do açúcar? A dúvida permanece, enquanto o mundo acelera.

No meio disso tudo, nós, cidadãos comuns, seguimos tentando pagar boletos, criar filhos, planejar férias e entender por que o preço do pão sobe quando cai a bolsa de valores em algum lugar distante. É curioso como decisões tomadas em salas fechadas acabam refletindo na nossa fila do supermercado.

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Talvez por isso uma frase antiga continue tão atual. John Lennon, que parecia entender mais de política cantando do que muitos políticos discursando, resumiu tudo com simplicidade desconcertante: Faça amor, não faça guerra. Não era ingenuidade. Era lucidez. Amor, aqui, no sentido amplo: cooperação, empatia, diálogo, vontade de conviver sem precisar dominar.

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Porque, no fundo, dividir o planeta em pedaços nunca funcionou muito bem. Sempre sobra ressentimento, desconfiança e uma conta alta para as próximas gerações pagarem. Talvez a verdadeira nova ordem mundial não precise de mapas redesenhados, mas de prioridades revistas.

Enquanto os grandes decidem quem fica com qual terço, seguimos aqui torcendo para que sobre espaço suficiente para viver em paz. E, quem sabe, para que alguém, em alguma sala importante, lembre-se de colocar a música do Lennon para tocar antes de assinar qualquer acordo.

André Gomyde é presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis e Mestre em Administração pela FCU, nos Estados Unidos. Instagram: @andre.gomyde

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