Voluntariado no Espírito Santo contribui com 4,96% dos empregos formais e 2,96% do PIB, destacando seu papel no desenvolvimento social
Por Robson Melo
Um ato espontâneo de solidariedade que visa beneficiar terceiros ou a comunidade, combatendo a exclusão social e fortalecendo a cidadania. E que não deve ser confundido com um “favor” esporádico, mas deve ser entendido como um serviço organizado. Exemplos disso são as aulas de reforço para crianças carentes, as ações junto à Defesa Civil em situações de emergência ou, ainda, a particpação em mutirões e em conselhos comunitários. Quem atua assim tem “responsabilidade de coração” pela atividade assumida de livre vontade. Claro, estou falando do voluntário.
A ONU – Organização das Nações Unidas – define assim: “alguém que, por vontade própria, dedica tempo, conhecimento e esforço para realizar ações solidárias sem finalidade de lucro financeiro”.
Ressalte-se o trabalho voluntário daqueles que se dispõem a levar seu conhecimento e experiência para a gestão e governança das instituições sociais. É da boa prática de integridade e prestação de contas que decorre a credibilidade na gestão e na governança, junto à sociedade e aos investidores sociais. Aí estão muitos voluntários, invisíveis.
Tal como para aplicar no mercado financeiro ou apostar em novos projetos, os investidores precisam sentir segurança, não é diferente quando se quer mais investimentos no Terceiro Setor, até porque esse setor também tem papel muito importante na economia. E, novamente, aí estão os voluntários, por vezes invisíveis.
Só aqui no Espírito Santo, na sua cadeia produtiva, o Terceiro Setor agrega 2,96% ao PIB estadual e representa 4,96% dos empregos formais no Estado, segundo o estudo “A Importância do Terceiro Setor no Espírito Santo” do IJSN – Instituto Jones dos Santos Neves – realizado a pedido da FUNDAES.
Tamanha importância tem o trabalho dos voluntários no desenvolvimento institucional no Terceiro Setor que a boa prática da contabilidade recomenda que sejam apurados, caso fossem remunerados, os valores correspondentes à sua atuação. Na Demonstração Anual de Resultados tais valores são registrados como “receitas” e também nas “despesas”, pelos mesmos montantes, de tal sorte que o Balanço não terá variação decorrente das “gratuidades” dos voluntários, pessoas físicas e pessoas jurídicas. Isso evidencia para a sociedade e para os investidores sociais que a participação no custeio institucional tem a contrapartida do voluntariado.
No Terceiro Setor mais “voluntários de administração” são necessários, trazendo renovação e inovação, além de aportarem suas experiências, credibilidade e conexões com os demais setores da sociedade.
Vale notar que, do ponto de vista da sociedade, a longevidade saudável é cada vez mais uma realidade, e cresce o número de pessoas que chegam à aposentadoria remunerada de executivos, analistas e especialistas. Daí que é muito bom saber que alguém, depois de se aposentar, dedica-se ao trabalho voluntário na ONG, na Casa de Apoio, no Abrigo, no Asilo ou no Conselho Comunitário, ou em Conselho de Administração e Direção de instituição social.
É digno de nota que a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou 2026 como o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável e visa reconhecer o voluntariado como pilar fundamental para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.
Todos são muito bem-vindos ao “setor cidadão”, de livre vontade.
Robson Melo é Presidente Executivo da FUNDAES, a Federação do Terceiro Setor Capixaba


