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O homem que chora em junho

A saúde mental do homem é um assunto de paz pública. Porque a raiva represada, o afeto interditado, a tristeza sem nome, tudo isso vira violência, grosseria, abandono

Por André Gomyde

Junho é o mês da fogueira, da canjica e das bandeirinhas. Mas também, mais recentemente — e menos barulhento — é o mês da Conscientização sobre a Saúde Mental do Homem. A piada fácil diria que homem não precisa de campanha, precisa é de terapia em grupo com café e colo. E talvez a piada não esteja tão errada assim.

O fato é que o homem foi treinado, por séculos, para não sentir. Ou, se sentisse, que não demonstrasse. Foi programado para vencer, competir, dominar. Se perdesse, escondia. Se caísse, levantava e disfarçava. O resultado é um sujeito que ri alto, mas grita por dentro. Que faz piada no bar, mas trava o peito no silêncio do quarto. Que ama a mulher e os filhos, mas não sabe demonstrar isso sem parecer frágil — ou pior: sem parecer fraco.

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Mas não se trata apenas dele. Trata-se de todos à sua volta. Porque homem que cuida da própria mente é homem que não desconta a raiva no trânsito, na esposa ou no filho. É homem que ouve sem interromper, que fala sem agredir, que sabe que a mulher não está no mundo para completá-lo — mas para caminhar ao lado, do jeito dela, sendo o que quiser ser. Astronauta, ministra, carpinteira, ou simplesmente livre.

A saúde mental do homem é, também, um assunto de paz pública. Porque a raiva represada, o afeto interditado, a tristeza sem nome, tudo isso vira violência, grosseria, abandono. Quando um homem se conhece, ele não precisa controlar ninguém. Ele compartilha. Ele não compete com a mulher — ele soma. Ele não teme a autonomia dela — ele a admira.

E aí chegamos ao ponto crucial: o pai. O homem que não cuida da mente dificilmente cuida bem dos filhos. Ou está ausente, ou está presente pela metade. Filho precisa de referência, de escuta, de abraço de pai que se permite ser vulnerável sem perder a firmeza. Pai que vai à reunião da escola, que sabe o nome da amiguinha da filha, que ensina o filho a cozinhar e a pedir desculpas. Porque homem que cuida, forma humanos melhores. E começa por ele mesmo.

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Por fim, um detalhe essencial: é bom — e justo — que a mulher reconheça isso num homem. Que veja nele não apenas o parceiro forte, mas o homem inteiro: que chora sem vergonha, que aprende com os erros, que respeita as escolhas, que segura no colo, que escuta sem pressa. E que dê a esse homem a chance de ser completo para ela. Porque, no fundo, o mundo precisa menos de valentia e mais de gentileza com nome, CPF e um bom abraço no fim do dia.

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André Gomyde é presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis e Mestre em Administração pela FCU, nos Estados Unidos. Instagram: @andre.gomyde

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