Itens como petróleo, minério e celulose ficaram de fora da lista de produtos com tarifa anunciada pelos EUA
Por Amanda Amaral
Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor novas tarifas aos produtos brasileiros, desta vez de até 25%. Diante dessa possibilidade, quais os perigos para e economia capixaba?
Para o especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Pablo Lira, os produtos capixabas sob risco, caso a tarifa seja implementada em julho como anunciou Trump, são o café solúvel, mármore, granito, ardósia, pescados e ovos/frango. “Santa Maria de Jetibá deve ser impactada por conta da produção de ovos e também os pescados na região do litoral sul, em Itapemirim com a exportação de atum, mas são clusters mais localizados de produção”, avaliou.
Vale lembrar que itens importantes para pauta exportadora capixaba como petróleo, minério, celulose, café verde, pimenta, gengibre e quartzo estão na lista de exceções. Contudo, com relação ao tarifaço de 2025, que ainda está em vigor para determinados produtos como o aço, por exemplo, o Espírito Santo foi apontado pelo Banco Central como o estado brasileiro mais afetado, já que os EUA é seu principal comprador.
“Como a gente viu no ano passado, essas medidas anunciadas pelos Estados Unidos também contribuíram para que o Espírito Santo e o Brasil reforçassem laços com a Europa. Agora, está em vigência o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, também foi reforçada a proximidade com a China. Isso tende a neutralizar possíveis impactos dessa medida no futuro”, comentou Lira.
Outra questão que preocupa, na visão de Lira, é o fato de os EUA também ameaçar impor taxa adicional de até 12% sobre 68 países que falharam no combate ao trabalho análogo à escravidão, e o Brasil está incluído nesta lista.
“O cenário externo, a gente não consegue prever. Isso pode atrapalhar o Estado? Pode. As exportações para os Estados Unidos diminuíram, mas não foi o fim do mundo. As exportações totais do Espírito Santo caíram só 2% de 2025 para 2024, mas para quem exporta bilhões de dólares, 2% é muita coisa. Pode ser muito importante para um produtor de gengibre, por exemplo, porque pode envolver toda a produção dele”, comentou.

