Habilitação do Aeroporto de Vitória para imigração de tripulantes reduz custos e elimina escalas desnecessárias para importadores
Por Amanda Amaral
Em cinco anos, o volume de importações de jatinhos e aviões executivos cresceu mais de 129% no Espírito Santo. O dado enfatiza o fortalecimento da vocação do Estado como hub logístico no Brasil para produtos de alto valor e de sua influência na transformação regulatória do comércio exterior.
Entre 2020 e 2025, o volume importado de aeronaves pelo Estado passou de cerca de US$ 740 milhões (R$ 3.876.490,00) para mais de US$ 1,7 bilhão (R$ 8.905.790,00), conforme informações do Comex Stat. Nos dois primeiros meses deste ano, as aeronaves responderam por US$ 310 milhões (R$ 1,6 bilhão) das importações do Espírito Santo, +23,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Expertise
Os dados indicam cenário de continuidade dos investimentos no Estado em transporte aéreo e logística. Para a CEO da NexOne – Soluções em Comércio Exterior e membro da Diretoria de Relacionamento do Ibef-ES, Leila Moreira, o processo de importação, no geral, é um dos mais burocráticos e complexos do país, mas avanços são observados.
“A Receita Federal do Brasil tem trabalhado muito para estas mudanças. Estamos numa fase de evolução no comércio exterior e este ano tem sido um ano de muitas alterações e aprendizado. Implantação da Declaração Única de Importação (DUIMP), maior eficiência nas operações com foco em conformidade. Estamos num momento de transformação regulatória e estar atualizado, antecipar riscos e estruturar processos é fundamento para garantia de competitividade e segurança nas operações”, contou.
Leila Moreira destaca que o Espírito Santo tem papel importante nesse debate devido a sua expertise de décadas de forte atuação no comércio exterior. “Diversos fatores fortalecem a vocação do Estado, que cada vez mais se posiciona como hub logístico no Brasil. Temos profissionais qualificados, excelente posicionamento geográfico, melhores benefícios fiscais existentes e uma atuação Governo do Estado e empresas privadas muito favorável”, afirma.
Já o Sindiex afirmou que o Aeroporto de Vitória é um ativo estratégico para o comércio exterior capixaba. Na visão da entidade, o Espírito Santo se consolidou como principal ponto de entrada do país na importação de aeronaves particulares, resultado da eficiência aduaneira, da segurança jurídica e da integração entre concessionária, operadores e órgãos públicos.
Bens de alto valor

Outra iniciativa recente, foi a habilitação do Aeroporto de Vitória para realizar o processo de imigração de tripulações de aeronaves executivas internacionais, o que agiliza a nacionalização, reduz custos e elimina escalas em outros aeroportos do país. O Sindiex ressaltou por nota que a iniciativa é um avanço estratégico para a competitividade do Estado, eliminando um gargalo que encarecia as operações, além de atender uma demanda histórica do setor, apresentada pela entidade à Zurich Airport Brasil ainda em 2023.
A advogada Luciana Mattar Vilela Nemer, especializada em direito aduaneiro, marítimo e portuário, explica que, até então, mesmo quando o destino final era o Espírito Santo, aeronaves vindas do exterior precisavam realizar paradas adicionais em outros estados para o cumprimento das exigências migratórias. “Essa etapa aumentava custos operacionais e prolongava o tempo de nacionalização. Era uma demanda histórica do comércio exterior”, afirma a advogada.

Para Luciana Nemer, a mudança representa um ganho relevante de eficiência. “A possibilidade de realizar todos os trâmites no próprio estado reduz custos logísticos, encurta prazos e traz mais previsibilidade para os importadores. Além de já se destacar pela estrutura fiscal e logística, o estado dá um passo importante para consolidar um ecossistema ainda mais robusto ligado à importação de bens de alto valor”, avalia.
Outros aeroportos de cargas relevantes no país também fazem processo de imigração de tripulantes, explica Leila Moreira, porém o Aeroporto de Vitória já era o principal em nacionalização de aeronaves do Brasil. “Isso devido as vantagens competitivas do Espírito Santo, como benefícios fiscais e excelente posição geográfica. Agora com a habilitação ficou mais atrativo ainda”, pontua.

