Conilon capixaba passa por processo de valorização após reconhecimento com selo global, reforçando qualidade, origem e posicionamento no mercado
Por Amanda Amaral
O conilon capixaba tem ganhado reconhecido pelo mundo afora. Um dos fatores que têm contribuído para isso, é a certificação Fairtrade, na tradução, Comércio Justo. Quem explica a importância deste sistema global, é o presidente da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul), Renato Theodoro.
Theodoro também é diretor na Coordenadora Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores de Comércio Justo (CLAC) e ex-presidente da Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFAIR). Em novembro de 2025, representou a Cafesul e a CLAC em eventos da COP30, reforçando o papel estratégico com relação à sustentabilidade da cooperativa – única no Brasil a vender conilon Fairtrade.
O conilon do Sul do estado tem chamado atenção de boutiques na Europa. Segundo Renato Thedoro, a Fairtrade exige o cumprimento de normas rigorosas que garantem a sustentabilidade ambiental e socioeconômica do setor, característica muito valorizadas em países do continente europeu, por exemplo.
“Para obter a certificação, as organizações devem ser compostas por pequenos produtores, seguindo o perfil da agricultura familiar que temos no Sul do Espírito Santo. As regras incluem critérios ambientais, como a proibição do uso de glifosato, e exigências como não realizar trabalho escravo ou infantil, ter o registro formal de todos os trabalhadores envolvidos na produção, uma série de critérios devem ser atendidos”, explicou.
Theodoro explica que o sistema também oferece benefícios financeiros diretos como o “Prêmio Fairtrade”, um valor fixo em dólar por saca vendida que deve ser reinvestido em melhorias na cooperativa e em projetos sociais nas comunidades, como abrigos para idosos e recuperação de nascentes. Além disso, também existe uma garantia de preço mínimo para proteção do produtor caso as cotações do mercado internacional sofram quedas bruscas.
“Desde a certificação em 2008, a Cafésul conseguiu mudar a percepção internacional sobre a qualidade do café conilon, participando de feiras globais e conquistando premiações”, ressaltou o presidente da Cafesul. Para 2026, são ações previstas pela cooperativa, a diversificação de certificações para novos mercados, e a ampliação da produção de bioinsumos em fábrica própria para diminuir a dependência de agrotóxicos químicos. A cooperativa também mantém o foco no empoderamento feminino através do projeto “Pó de Mulheres”, que incentiva a participação feminina na gestão e na produção de cafés de alta qualidade.

