Café é exportado com a força do vento, reduzindo a pegada de carbono e valorizando a produção sustentável no Sul do estado
Por Amanda Amaral
Pensando na sustentabilidade de suas operações, uma empresa suíça decidiu transportar o café capixaba por meio de veleiros. O objetivo é vender o blend com o conilon do Espírito Santo em cafeterias boutiques da Europa, mas utilizando a força dos ventos para redução da pegada de carbono no transporte internacional.
A iniciativa é uma parceria entre a La Semeuse e a Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul) – que produz cafés especiais. O blend Caravela não é apenas capixaba; trata-se da união do arábica orgânico de Manhuaçu, Minas Gerais, com o conilon de Muqui, ambos com certificação Fairtrade, na tradução livre, comércio justo.
Renato Theodoro, presidente da cooperativa, explica que a parceria surgiu após contatos em feiras na Dinamarca, onde o cliente suíço buscava um produto que fosse, simultaneamente, orgânico, mas transportado de forma ecológica. “Ele tem uma empresa parceira que está vindo para o Brasil buscar os cafés que ele comprou”, disse. Para o transporte é utilizado navio a vela, sem motor, e o embarque é feito em São Paulo, no Porto de São Sebastião – primeiro porto público a receber a certificação ambiental ISO 14.001.
O grão verde do Espírito Santo, é torrado e embalado na Suíça. A sustentabilidade da operação também é garantida pela certificação global Fairtrade baseada no tripé da sustentabilidade (governança, meio ambiente e social) visando a garantir um preço justo para os pequenos produtores de café e um produto de qualidade e sustentável para os consumidores.

Atualmente, a Caeésul é a única cooperativa de café Conilon no Brasil a possuir essa certificação, e tem buscado transformar a percepção internacional sobre o grão capixaba. “Ao olhar para esse selo, o consumidor já sabe que o que está por trás. Quando você olha um produto orgânico, você sabe que não tem agrotóxico. Na Europa isso é muito forte em quase todos os países, é um mercado muito forte para o Fairtrade”, afirmou Theodoro.
O produtor Fair Trade conta com dois mecanismos principais de proteção: um preço mínimo garantido, que protege contra quedas bruscas no mercado, e o Prêmio Fair Trade. A premiação é um valor fixo em dólar pago por saca vendida, que deve ser investido obrigatoriamente em projetos sociais, ambientais e de melhoria da produtividade na comunidade.
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O selo foi criado com o intuito de conectar pequenos produtores e agricultores familiares, promovendo a usta concorrência e possibilitando o alcance do mercado internacional, segundo explicou Theodoro – que é membro da Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos(as) Produtores(as) e Trabalhadores(as) de Comércio Justo e ex-presidente da Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFAIR).

