A pimenta-do-reino é um produto tradicional da região Norte do estado e está presente em 45 municípios capixabas
Por Kebim Tamanini
Quando o assunto é pimenta-do-reino, o Espírito Santo desponta como referência no cenário internacional. Se o estado fosse um país, seria o terceiro maior produtor dessa especiaria, ficando atrás apenas do Vietnã e da Indonésia. Os capixabas são responsáveis por 70% da produção brasileira, e a pimenta-do-reino capixaba chega a mais de 70 países.
De janeiro a junho de 2024, a pimenta-do-reino foi um dos destaques na geração de divisas, ficando em terceiro lugar, com US$ 84,2 milhões (5,4%), atrás apenas do complexo cafeeiro (com US$ 863,6 milhões, equivalentes a 55,6%) e da celulose (com US$ 532,9 milhões, representando 34,28%), segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag).
Em 2023, o segmento fechou o ano com uma produção de 78.178 toneladas, um crescimento de 2,14% em relação ao ano anterior. Mais da metade da pimenta-do-reino brasileira é de origem capixaba.
“Essa liderança e crescimento comprovam que nós também somos referência no cultivo da pimenta-do-reino. Mais da metade da produção nacional é capixaba, o que coloca o Brasil como o segundo maior produtor mundial depois do Vietnã. Somente a produção do Estado equivale a 9% da produção mundial”, salientou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, fazendo um balanço do produto.
Existem cerca de 11.700 estabelecimentos rurais com produção de pimenta-do-reino no Espírito Santo, representando 11% do total dos estabelecimentos agropecuários capixabas.
A agricultura familiar corresponde a 76% desses estabelecimentos, segundo dados divulgados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
A pimenta-do-reino é um produto tradicional da região norte do estado e está presente em 45 municípios capixabas. O município de São Mateus concentra 35% da produção estadual, seguido por Jaguaré (12%), Vila Valério (9,8%), Rio Bananal (8%) e Nova Venécia (5,6%).
Outros 40 municípios produzem em menor escala. Cultivada há mais de 50 anos, a pimenta-do-reino tem se consolidado como uma importante cultura na economia estadual.
“Acredito que o principal fator que tem feito o produtor capixaba aderir a essa cultura é principalmente a possibilidade de conciliar com o café conilon. A mão de obra pode ser utilizada tanto no conilon quanto na pimenta. Além disso, a rentabilidade deste produto tem surpreendido, especialmente no último ano, com preços muito atrativos”, relatou Jozielton Freire, gerente de Mercado da Nater Coop, uma das grandes cooperativas do segmento no Espírito Santo.
Para o gerente da Nater Coop, a pimenta-do-reino em 2024 pode sofrer algum impacto devido ao clima seco. “Na última safra, que ocorreu entre dezembro e janeiro, tivemos um período bom de chuvas, resultando em uma boa formação dos frutos. No entanto, para a principal colheita, que ocorre no meio deste ano, houve problemas devido à seca, o que afetou tanto a pimenta quanto o café. Em algumas regiões, houve excesso de chuvas anteriormente, causando alagamentos e perda de áreas de cultivo, que precisaram ser replantadas em outros locais. Agora, com a seca, a pimenta sofre bastante”, destacou Freire.
O cenário da pimenta-do-reino no Espírito Santo é de crescimento e superação de desafios, e a resiliência dos produtores, somada às condições favoráveis para a diversificação das culturas, são fatores que continuarão a impulsionar este importante segmento do agro capixaba.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 223, de setembro de 2024. Leia a edição completa sobre o Agronegócio Capixaba aqui

