Programa do Estado, Caminhos do Campo já pavimentou mais de 1,3 mil km de estradas rurais, reduz custos logísticos e acelera o desenvolvimento econômico
Maxieni Muniz
O Caminhos do Campo consolidou-se como um dos mais duradouros e estratégicos programas de infraestrutura do Espírito Santo, com impactos diretos sobre a economia rural, a renda das famílias e a dinâmica social no interior do Estado. Criado em 2004, o programa já soma mais de 1.300 quilômetros de vias pavimentadas, alcançando todas as regiões capixabas e garantindo trafegabilidade permanente em áreas antes isoladas.
Segundo o secretário estadual de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, o principal indicador de sucesso do Caminhos do Campo está no efeito estrutural sobre o desenvolvimento econômico e social das comunidades atendidas.
“O grande impacto não é só logístico, é o desenvolvimento econômico e social das regiões rurais”, afirma Enio. A pavimentação elimina interrupções causadas por chuvas, reduz perdas no transporte de produtos perecíveis e assegura acesso contínuo a mercados, serviços de saúde, educação e segurança.
O secretário destaca que, antes do programa, era comum a perda de produção agrícola por falta de condições de escoamento. “Hoje, com a trafegabilidade o ano todo, o produtor reduz custos de transporte, amplia a produção e acessa novos mercados”, explica. O efeito vai além da agricultura tradicional. O Caminhos do Campo estimula atividades não agrícolas no meio rural, como agroturismo, pequenas agroindústrias, torrefadoras de café, queijarias artesanais e produção de embutidos.
Dados comparativos dos últimos censos agropecuários reforçam esse impacto. Famílias que combinam atividades agrícolas e não agrícolas no espaço rural apresentam renda média superior ao dobro daquelas que dependem exclusivamente da produção agropecuária. “É um novo dinamismo econômico, que gera emprego e renda para homens, mulheres e jovens”, ressalta o secretário.
O programa também atua como base logística para outras políticas públicas. A pavimentação rural integra ações de competitividade do agronegócio, acesso à ciência, tecnologia e serviços especializados. “Nenhuma política pública chega ao campo sem estrada. O Caminhos do Campo é indutor de negócios existentes e de novos empreendimentos”, afirma o responsável pelo programa.
Embora não exista uma lei específica que o classifique formalmente como programa de Estado, o secretário reforça que o Caminhos do Campo atravessou diferentes governos mantendo o mesmo nome, orçamento e prioridade. “Ele está previsto no PPA e na Lei Orçamentária desde 2004. Entram governos, saem governos, e o programa permanece”, diz.
Para os próximos anos, o desafio é ampliar o alcance com sustentabilidade econômica e ambiental. Entre as prioridades estão o uso de pavimentos mais duráveis e adequados ao aumento de carga, soluções construtivas compatíveis com solo, relevo e drenagem, além do avanço do uso de blocos intertravados, que custam até 25% mais que o asfalto, mas reduzem significativamente os gastos futuros com manutenção e se integram melhor ao ambiente rural.
“O Caminhos do Campo não busca aumentar velocidade, mas garantir trafegabilidade permanente, com respeito ambiental e menor custo ao longo do tempo”, conclui o secretário.

