Oriente Médio concentra 16% das vendas externas do produto capixaba, e conflitos já elevam fretes, seguros marítimos e dificuldades logísticas
Por Letícia Arcanjo
O Espírito Santo é o maior exportador de pimenta-do-reino do Brasil. No total acumulado entre janeiro e dezembro do último ano, foi o terceiro mais exportado pelo estado e bateu recorde atingindo US$ 347 milhões. Desse total, 16% foi exportado para o Oriente Médio, o que traz certas preocupações para o setor considerando o cenário atual de guerras.
As exportações para a região do Golfo Pérsico somaram cerca de US$ 56 milhões. Em entrevista à ES Brasil, o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, afirma que o cenário gera preocupação devido ao volume significativo destinado a esse mercado, especialmente diante dos impactos da instabilidade geopolítica já sentidos por produtores e exportadores
“Já estão sendo realizados desvios de rotas, o encarecimento dos fretes marítimos, o aumento do seguro para passar pela área. Então os custos e a dificuldade de levar nossa pimenta para essa região são cada vez maiores”, destaca.
Segundo o secretário, a pimenta destinada ao Oriente Médio possui características de qualidade diferentes da exportada para outros países, o que dificulta o redirecionamento da produção. “Esse é um mercado importante para essa pimenta, pois a região tem menos restrições em relação à qualidade”, afirma.
Diante desse cenário, o governo estadual tem intensificado ações para ampliar mercados e elevar a qualidade da produção capixaba, com o objetivo de reduzir a dependência de destinos específicos e atingir compradores mais exigentes.
Enio destaca também ações realizadas pelo setor privado, como o investimento em esterilizadores. O Espírito Santo já conta com três unidades, e essa tecnologia ajuda a evitar problemas sanitários na pimenta, como a presença de salmonella.

