Pesquisa do Procon Vitória aponta diferenças superiores a 100% entre supermercados e mostra quais produtos subiram e quais ficaram mais baratos
Por Letícia Arcanjo
Produtos típicos das festas juninas e julinas apresentam variações que ultrapassam 100% entre supermercados da Grande Vitória, de acordo com um levantamento realizado pelo Procon Vitória. A maior diferença foi registrada na maçã Gala. O quilo da fruta pode ser encontrado por R$ 6,99 em um estabelecimento e chegar a R$ 14,99, com variação de 114,45%.
Outro item que apresentou grande oscilação foi o molho de tomate tradicional (240 g), vendido entre R$ 1,99 e R$ 3,99, diferença de 100,50%. Já o leite condensado (395 g) teve variação de 87,84%, com preços entre R$ 7,98 e R$ 14,99.
A pesquisa também identificou diferenças expressivas em outros produtos bastante consumidos durante os arraiás, o arroz de 5 kg, por exemplo, variou 56,29%, a salsicha com oscilação de 58,38%. Entre os doces, a paçoca tipo rolha de 300 g foi encontrada com valores que variam de R$ 15,20 a R$ 18,99.
Segundo o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Vaner Corrêa, as diferenças de preços são resultado da própria dinâmica do varejo. Ele explica que cada supermercado possui estruturas de custos, estratégias comerciais, poder de negociação com fornecedores e políticas de precificação distintas.
“Um estabelecimento localizado em determinada região pode enfrentar menor concorrência e possuir uma clientela menos sensível aos preços, enquanto outro utiliza determinados produtos como “itens-isca”, reduzindo sua margem de lucro para atrair consumidores que acabam adquirindo diversos outros produtos”, pontua.
Para o economista, a pesquisa de preços é uma ferramenta importante para o consumidor, especialmente em um cenário de inflação persistente. Segundo ele, mais do que acompanhar a inflação, é preciso melhorar a qualidade das decisões de compra.
Comparação com 2025
Além das diferenças entre estabelecimentos, a pesquisa do Procon mostra que alguns itens ficaram mais caros em relação ao mesmo período de 2025. O leite de coco (200 ml) registrou a maior alta, com o menor preço passando de R$ 4,88 para R$ 7,39, aumento de 51,43%. O coco ralado também apresentou elevação de 32,71%.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram quedas no preço, como o amendoim cru com casca de 500 g, um dos principais ingredientes das receitas típicas, teve queda de 30,17%, passando de R$ 9,28 para R$ 6,48. Também recuaram os preços da tapioca granulada (-18,63%) e do cravo-da-índia (-24,01%).

“É exatamente essa combinação entre fatores climáticos, custos de produção e comportamento da demanda que explica por que alguns itens sobem enquanto outros recuam no mesmo período”, destaca Vaner Corrêa.
Ele explica que entre esses fatores estão as condições climáticas, a produtividade das lavouras, os custos de fertilizantes, energia elétrica, combustíveis, embalagens, logística e transporte.

