GreenWay Trees recebeu apoio da Fapes e ganha visibilidade como alternativa para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados
Por Nathanael Rodor
Uma tecnologia desenvolvida no Espírito Santo vem ganhando destaque como alternativa para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. O GreenWay Trees, criado pela GreenWay Environmental & Climate, propõe a utilização de microalgas na produção de bioinsumos e foi contemplado em primeiro lugar no edital Fapes/Seama nº 02/2025, voltado ao apoio a negócios de impacto socioambiental. A iniciativa recebeu R$ 200 mil do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), para avançar no desenvolvimento da solução.
Segundo Israel Pestana, responsável por Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da GreenWay, a tecnologia nasceu após cerca de um ano de pesquisas motivadas por uma reflexão sobre como despoluir. Hoje, as estruturas modulares desenvolvidas pela empresa cultivam microalgas no próprio local de aplicação, sequestram CO₂ e geram biomassa que é transformada em bioestimulante para uso agrícola. “A microalga é produzida no campo enquanto sequestra carbono e elimina outros poluentes atmosféricos. Depois, essa biomassa é transformada em um bioestimulante que pode ser aplicado na lavoura”, afirma.
Além da captura de CO₂, as microalgas acumulam nutrientes como nitrogênio e fósforo, permitindo sua utilização como biofertilizantes e bioestimulantes. A tecnologia também prevê aplicações em ambientes urbanos, com monitoramento da qualidade do ar e de parâmetros meteorológicos. De acordo com o professor do Departamento de Engenharia Ambiental da Ufes, Sérvio Túlio Cassini, a biomassa de microalgas não se limita a NPK (fertilizante,) mas também é bioestimulante. “(Ela) fornece fitormônios, aminoácidos, exopolissacarídeos e antioxidantes que estimulam germinação, crescimento radicular, absorção de nutrientes e tolerância a estresses abióticos como seca e salinidade”, explica.
Além disso, Cassini ressalta o potencial da biomassa algal de se converter em biochar, um material carbonáceo estável que atua como condicionante. “O biochar melhora a estrutura, a capacidade de retenção de água e de troca catiônica, sequestra carbono no solo por longos períodos e serve de suporte à microbiota benéfica”, pontua. Segundo o professor, trata-se de uma valorização em cascata: fonte de nutrientes de um lado, carbono estável e saúde do solo de outro.
A microalga, portanto, tem potencial de resolver três problemas (esgoto, CO₂ industrial e dependência de fertilizantes) de forma única e integrada. O Brasil é uma potência agrícola, mas com certa fragilidade em insumos. Por isso, para Cassini, “essa convergência entre segurança de fertilizantes, descarbonização e economia circular representa uma das apostas biotecnológicas mais promissoras da próxima década”. Segundo ele, a única desvantagem ainda é o custo de geração e manutenção. “O investimento nas instalações ainda é alto, mas estamos caminhando em direção a uma escala de produção que pode ficar interessante”.
Segundo Pestana, os primeiros resultados fora do laboratório já indicam potencial agronômico. “Os testes têm apresentado aumento de produtividade de até 20%, além de maior retenção de água e nutrientes no solo”, afirma. A empresa agora busca parceiros institucionais e comerciais para ampliar a aplicação da tecnologia em campo e estruturar sua expansão no Brasil e no exterior.

O apoio da Fapes faz parte da estratégia de fortalecimento dos negócios de impacto no Espírito Santo. Segundo o diretor de Inovação da fundação, Elton Moura, o edital foi criado após um diagnóstico mostrar que o Estado respondia por apenas 2% dos negócios de impacto do Sudeste. “Buscamos identificar empresas capixabas que promovem transformações concretas na sociedade e apoiá-las na expansão de seus negócios”, afirma. Para ele, a combinação entre pesquisa científica e tecnologia amplia o potencial do Espírito Santo para se consolidar como referência nacionalmente e internacionalmente.


