Por Thamiris Guidoni
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta quarta-feira (6), um novo ciclo do programa BNDES Bioinsumos, com R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis destinados a cooperativas e associações da agricultura familiar. O objetivo é fortalecer a produção de bioinsumos para uso próprio e avançar na transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.
O anúncio ocorreu durante a 3ª Plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em Brasília, onde o banco também apresentou balanço da área. Desde 2023, o BNDES já mobilizou mais de R$ 2,4 bilhões em ações de segurança alimentar.
“O BNDES Bioinsumos é uma iniciativa estratégica para fortalecer a agricultura familiar, ampliar a produção de alimentos saudáveis e reduzir a dependência de insumos convencionais. Ao anunciar um novo ciclo de R$ 40 milhões, o Banco reforça seu compromisso com a segurança alimentar, a inovação no campo e a transição para uma agricultura mais sustentável, com mais autonomia produtiva para cooperativas e associações de agricultores familiares”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A nova chamada fica aberta até 31 de agosto e dá continuidade ao ciclo iniciado em 2025, que destinou R$ 20 milhões a quatro projetos hoje em avaliação. A proposta amplia a produção de insumos biológicos dentro das próprias cooperativas.
Bioinsumos e transição no campo
Os bioinsumos são produtos de origem biológica, como microrganismos e extratos naturais, usados no controle de pragas e no estímulo ao crescimento das lavouras, reduzindo a dependência de insumos químicos e fortalecendo práticas agroecológicas.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destaca o caráter contínuo da política.
“Esta nova chamada de projetos mostra que o BNDES está construindo uma política de fomento contínua para bioinsumos, olhando especialmente para a agricultura familiar. Além de apoiar estruturas produtivas, queremos fortalecer capacidades locais, reduzir custos para quem produz alimentos e ampliar o acesso a tecnologias sustentáveis. O objetivo é que mais cooperativas e associações estejam preparadas para produzir bioinsumos com qualidade, biossegurança e escala”, disse.
Ela reforça a visão integrada da segurança alimentar. “Segurança alimentar não se resolve com uma ação isolada. É preciso atuar em toda a cadeia: apoiar quem produz, fortalecer cooperativas, ampliar o acesso à água, melhorar o abastecimento e estimular a produção de alimentos saudáveis nos territórios”.
Entre as ações do banco estão o Sertão Vivo, no Semiárido, e o Ecoforte, voltado a redes agroecológicas e produção orgânica. As iniciativas buscam integrar produção, renda e sustentabilidade em diferentes regiões do país.

