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Preço não é só número, é posicionamento

Preço não é só número, é posicionamento

O preço é a primeira informação estratégica que o mercado recebe sobre o que você vende. Antes de qualquer palavra sua, ele já disse muito

Por Valéria Effgen

Você já parou para pensar em quantas decisões o seu cliente toma sobre você antes mesmo de te conhecer?

A primeira, e a mais silenciosa de todas, ele toma no instante em que vê o seu preço. Naquele segundo, sem que você tenha aberto a boca, o mercado já formou uma opinião completa sobre o que você vende, para quem vende, com que qualidade entrega, e, principalmente, se você merece ser considerada para o problema dele.

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Esse é o ponto que precisa ser dito com clareza, porque muita mulher competente ainda decide preço pelo caminho errado: PREÇO NÃO É NÚMERO, É POSICIONAMENTO. Ao contrário do que muitas pensam e fazem, preço não é uma conta matemática entre custos e margem, nem uma afirmação emocional sobre autoestima. É comunicação estratégica. É a primeira frase que o seu negócio diz ao mercado, antes de qualquer texto de venda, antes de qualquer proposta comercial, antes de qualquer conversa.

E é justamente por ser comunicação, e não matemática, que o preço não segue o cliente. O preço convoca o cliente.

Cobrar barato para “facilitar a entrada” não conquista mercado, apenas sinaliza que o produto é barato. E o mercado é implacável nessa leitura: quem entra pelo preço baixo, sai pelo preço baixo, quase sempre buscando alguém ainda mais barato na próxima temporada. Você não construiu cliente, construiu apenas um movimento que é o oposto de negócio sustentável.

Cobrar certo, ao contrário, sinaliza valor. Filtra automaticamente quem procura desconto e atrai quem procura resultado. Convoca o cliente que compreende, que respeita o trabalho, que retorna, que indica. Isso te faz assumir que preço bem calibrado é uma promessa que precisa ser cumprida e quem paga bem exige, com razão, entrega à altura. Essa exigência puxa o seu negócio para cima e você entra no círculo virtuoso do crescimento.

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Aqui entra algo que precisamos admitir com sinceridade, porque adoece muitas de nós em silêncio: as mulheres têm três dificuldades específicas com preço, todas herdadas. Todas caras.

1º. A crença de que cobrar bem é arrogância: Fomos ensinadas que mulher que se valoriza demais é pretensiosa, e por isso muitas ainda pedem desculpas quando enviam a proposta. A voz interna diz “será que não está caro?”, e a proposta vai para o cliente já enfraquecida pela dúvida.

2º. A tendência de precificar pelo tempo, não pelo resultado: Cobramos por hora, por sessão, por reunião, esquecendo que o mercado não paga pelo tempo que você gastou, paga pelo problema que você resolve. Um cliente que economiza um milhão graças a você não deveria pagar em função do quanto você trabalhou, deveria pagar em função do quanto ganhou por causa de você.

3º. A subestimação sistemática do próprio valor: Tendemos a reduzir nosso valor, especialmente quando comparado ao de homens no mesmo mercado. Estudos internacionais mostram, com regularidade, que mulheres precificam abaixo dos pares masculinos em profissões idênticas. Mesmo sabendo que o mercado exige isso, ainda temos a nossa própria régua interna estreita.

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Existe uma pergunta estratégica que costumo usar como filtro para quem está revisando o próprio preço: se você dobrasse o seu preço amanhã, qual perfil de cliente você perderia, e qual perfil você começaria a atrair?

A resposta honesta a essa pergunta muda a decisão. Porque quase sempre o cliente perdido é o que já drenava mais do que pagava, e o cliente atraído é justamente aquele que você quer construir carteira.

Importante saber que cobrar bem é, em última instância, uma decisão de negócio, não de coragem pessoal. Não se trata de “se valorizar”. Se trata de comunicar com clareza, ao mercado, o valor real do que você entrega, e permitir que o mercado responda a essa comunicação.

Portanto, minhas amigas, quem cobra mal, comunica pouco. Quem cobra bem, comunica muito e é lida com o respeito que a comunicação merece.

Reveja o seu preço com serenidade, sem culpa e compreenda onde você está deixando seu senso de valor pessoal interferir no que seu negócio realmente vale. Seu preço não é sobre você, é sobre o que você quer que o mercado saiba do seu trabalho antes de te conhecer.

Mas lembre-se: Cobrou, tem que entregar à altura.

Valéria Effgen é executiva, fundadora do Voa Mulher e advisor da plataforma de planos de negócios Vibz. Atua com estratégia e desenvolvimento de negócios há mais de 20 anos

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