
O Brasil possui um potencial extraordinário para diversificar sua matriz energética. A abundância de recursos naturais favorece a expansão da energia solar e eólica
Por Luiz Fernando Schettino
O cenário internacional, marcado por conflitos e pela volatilidade do preço do petróleo, reforça a necessidade de o Brasil acelerar sua transição energética. Nesse contexto, o governo federal anunciou medidas importantes: o aumento do percentual de álcool anidro na gasolina de 30% para 32% e do biodiesel no diesel de 15% para 17%.
O álcool e o biodiesel, além de serem combustíveis renováveis e menos sujeitos às oscilações geopolíticas do Oriente Médio, representam motores de desenvolvimento interno. Sua produção fortalece cadeias produtivas locais, gera milhares de empregos e promove inclusão social. Estima-se que apenas com o aumento do percentual de biodiesel no diesel (B15), sejam criados mais de 4.000 empregos diretos e indiretos, além de atrair R$ 5,2 bilhões em investimentos e reduzir a importação de diesel fóssil, cortando cerca de 1,2 milhão de toneladas de CO₂eq por ano [1].
No caso do etanol anidro, a elevação de 30% para 32% deve gerar uma demanda adicional de 4,2 bilhões de litros por ano, diminuindo a necessidade de importar gasolina e fortalecendo a segurança energética nacional [2].
O Brasil possui um potencial extraordinário para diversificar sua matriz energética. A abundância de recursos naturais favorece a expansão da energia solar e eólica, que podem ser associadas à produção de hidrogênio verde. Esse vetor energético, considerado essencial para a descarbonização global, abre portas para consumo interno e exportação, com aplicações em setores intensivos em energia, como siderurgia e cimenteiras.
Se esse movimento for acompanhado por investimentos robustos em inovação tecnológica, capacitação profissional e eficiência energética, o país poderá atrair capital estrangeiro e aproveitar suas reservas de terras raras, insumos fundamentais para a economia verde. Essa combinação pode acelerar a transição energética e posicionar o Brasil como protagonista na política energética mundial.
Mais do que reduzir emissões, trata-se de construir um futuro de qualidade de vida. O Brasil tem condições de se tornar uma potência sustentável, integrando sua vocação agropecuária, que precisa ser conduzida de forma inclusiva e ambientalmente responsável, ao potencial turístico, especialmente no agro e ecoturismo. Os recursos pesqueiros de mares e rios, somados à riqueza mineral, ampliam ainda mais o leque de oportunidades.
Para que esse horizonte se concretize, é fundamental superar a polarização política e unir esforços em torno de um projeto nacional que privilegie justiça social, sustentabilidade e inovação. O Brasil tem diante de si uma chance única de transformar desafios globais em oportunidades internas, consolidando-se como referência mundial em energia limpa e desenvolvimento sustentável.
Luiz Fernando Schettino é Engenheiro florestal, mestre e doutor em Ciência Florestal, Advogado, Escritor e ex-Diretor-geral da Agência de Serviços Públicos de Energia do Espírito Santo (ASPE)
Referências:
2] CNN Brasil. Aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% deve gerar demanda adicional de 4,2 bilhões de litros por ano.

