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Preço de alimentos pode subir por conta da estiagem

Impacto da falta de chuva na produção agrícola pode reduzir safra e aumentar o custo dos produtos

Por Kikina Sessa

O Espírito Santo está passando por uma estiagem considerada moderada, o que levou o governo do Estado a determinar, por meio de decreto, algumas medidas restritivas a vários setores usuários de recursos hídricos, incluindo a agricultura. 

Ainda não tem como mensurar, mas é certo que a falta de chuva vai prejudicar a produção agrícola, disse Enio Bergoli, secretário de Estado da Agricultura. O impacto deverá ser maior na próxima safra, especialmente do café, que neste 2024 já apresentou queda de rendimento de 35% na colheita do conilon por conta do calor excessivo em 2023, justamente no período de floragem da planta. 

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De acordo com o decreto do governo do Estado, a agricultura deve adotar práticas que promovam o uso racional da água na irrigação dos cultivos, visando à redução do consumo, conforme as seguintes orientações: a irrigação deve ser realizada em horários de menor evaporação, como nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde, otimizando a eficiência do uso da água e minimizando as perdas por evaporação e devem ser implementadas técnicas de irrigação eficientes, como o gotejamento, microaspersão e aspersão de baixa pressão. Sempre que possível, recomenda-se o monitoramento da umidade do solo para ajustar adequadamente o volume de água aplicado, evitando desperdícios.

No entanto, essas medidas não se aplicam às captações em cursos de água superficiais destinadas à irrigação localizada de olericulturas, limitadas a uma área de dois hectares por propriedade; cultivos em estufas, com sistema de irrigação por microaspersão ou irrigação localizada; cultivo hidropônico e viveiros para produção de mudas. 

“No contexto de variação de preços e disponibilidade de produtos, o mercado hortifrutigranjeiro é considerado volátil, uma vez que diversos fatores podem impactar a comercialização de alimentos. A expectativa é de que a situação se estabilize entre o final de setembro e meados de outubro, em razão das chuvas típicas dessa época no Estado”, informou a Ceasa por nota. 

Brasil tem ondas de calor

O Espírito Santo não é o único a enfrentar problemas com a estiagem. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), O Brasil enfrenta a pior seca de sua história recente. E a previsão dos meteorologistas é de que as ondas de calor e a estiagem permaneçam em quase todo o país pelo menos até novembro.

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O cenário preocupa e pode levar a uma série de reflexos negativos na economia brasileira. O solo seco e os baixos níveis dos rios prejudicam não só as safras agrícolas como também a geração de energia elétrica, o custo de combustíveis e o transporte de cargas pelo país.

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Na parte de frutas, Ronaldo Valente Oliveira, sócio-administrador da Mel Frutas, empresa especializada na comercialização de frutas nacionais e importadas em todo o território capixaba, comenta que a seca afeta a produção agrícola, fazendo com que alguns produtos tenham um aumento de preço para o consumidor final.

“A seca atinge os produtores de diferentes formas. Os pequenos que não possuem uma estrutura preparada para enfrentar os períodos secos, têm sua produção reduzida pela falta de água, resultando na elevação dos preços. Já os grandes produtores são afetados de forma relativa, por exemplo, na região de Juazeiro, onde produz uvas, mangas e outras frutas, onde eles querem calor ao dia e frescor à noite, sendo assim, o tempo seco não os afeta. A quantidade de água é controlada de acordo com a necessidade de cada tipo de fruta. Nesse caso, a falta de chuva só vai prejudicá-los em um racionamento de água. Já na região de São Paulo, onde se produz muitas frutas cítricas, não só a falta de água, mas o tempo seco e as altas temperaturas afetam o crescimento do fruto, resultando na diminuição da produção.”

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