Kessy Borges transforma vidas de mulheres que enfrentaram câncer de mama, devolvendo confiança por meio da tatuagem reparadora
Por Thamiris Guidoni
Para a tatuadora Kessy Borges, cada traço vai muito além de um simples desenho: é um ato de acolhimento, empoderamento e celebração da vida após o câncer de mama.
Com 10 anos de experiência e atuação internacional, Kessy se especializou em Fine Line e arte ornamental. Ela explica que sua trajetória a conduziu para a tatuagem voltada a mulheres que passaram pelo câncer de mama, um caminho que exige sensibilidade, estudo e dedicação intensos.
Ao lembrar do início do trabalho voltado à reconstrução após o câncer, Kessy conta que a experiência pessoal da família foi determinante para essa escolha profissional.
“Eu comecei a fazer esse tipo de procedimento depois do câncer da minha mãe, do câncer de mama. Na verdade, eu comecei a pensar porque que eu já não tinha começado antes, né? Mas aí com tudo, com todos os acontecimentos, eu acabei indo para esse lado e aprendendo um pouquinho mais sobre essa outra vertente da tatuagem.”
Kessy detalha como a técnica artística é adaptada cuidadosamente para atender áreas do corpo que exigem cuidados especiais.
“A técnica é a mesma que eu ia utilizar para uma tatuagem. A gente deve só trabalhar com a derma e com a epiderme da pessoa. Então, a gente não pode ser mais invasiva do que isso.”
Ela explica como a escolha de agulhas e espessuras é essencial para reproduzir a textura e nuances naturais da pele.
“Por ser um local mais sensível, a gente sempre trabalha com dois tipos de espessura de agulhas, no mínimo, para poder conseguir, na verdade, reproduzir o aspecto, a textura e as nuances de cor, sabe?”.
Confiança em cada traço

Sobre a duração de cada procedimento, Kessy reforça que tudo é pensado individualmente, respeitando a anatomia e a situação de cada paciente.
“O tempo varia muito porque às vezes tem mulher que tem uma mama e não tem a outra, tem mulher que não tem nenhuma, então isso vai fazer com que demore mais, mas o processo completo de reconstrução dos dois, mamilos por exemplo, eu vou demorar uma hora e meia por aí.”
A tatuadora também fala sobre o impacto emocional que cada sessão provoca, destacando a intensidade da conexão com essas mulheres
“A reação é sempre de muita emoção, muito choro… e eu não consigo não me envolver… eu sempre acabo me emocionando junto mesmo… mas é muito gratificante… é uma alegria muito grande… parece que houve realmente uma transformação ali… para quem não tinha nada… você olha no espelho e vê aquela parte do corpo ali… devolve autoestima… nossa senhora.”
Kessy reforça que o trabalho vai muito além da aparência física, promovendo uma reconstrução simbólica e emocional da autoestima.
“A reconstrução está totalmente relacionada com a autoestima, porque a tatuagem em si ela já é um acessório permanente, ela é um enfeite, e aí nesse caso ela passa a se tornar uma parte do corpo da pessoa, literalmente, isso aí eu acho que não tem, nossa, não tem nem palavra, porque o que devolve é muito mais do que uma tatuagem, é uma sensação, é um sentimento, é realmente, assim, diretamente influenciando a autoestima.”
Ela compartilha histórias que mostram como seu trabalho pode transformar vidas, mesmo diante de momentos de grande dificuldade.
“Tenho uma cliente que ela descobriu a doença no momento que ela tinha acabado de passar no processo seletivo para trabalhar numa grande empresa fora do país e ela já tinha se desfeito de muita coisa e ao mesmo tempo que ela descobriu estar doente, ela também descobriu que ela muito grande e nossa senhora essa história é uma história que até hoje lembrar dela me emociona muito.”
Kessy conclui explicando que o maior propósito da sua arte é melhorar a vida das pessoas, oferecendo acolhimento e devolvendo autoestima.
“Eu sabia que a arte da tatuagem não tinha entrado na minha vida à toa, na verdade eu sempre soube que eu estava começando um caminho que tinha muitas possibilidades. E a maior delas para mim é saber que eu posso melhorar um pouco a vida de uma pessoa… independente do desenho, meu objetivo hoje é que quem entra no meu estúdio saia melhor do que entrou, saia mais feliz, mais alegre, com autoestima elevada, e eu tenho certeza que eu cumpro isso… a confiança da pessoa é gigante, porque confiar uma parte do corpo dela para eu fazer meu trabalho e confiar a vida, as trocas, as conversas que a gente tem. Isso é muito rico para mim e eu sou muito feliz fazendo isso.”
O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização sobre o câncer de mama, realizada todos os anos no mês de outubro. O movimento tem como objetivo alertar sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento da doença, além de incentivar mulheres a realizarem exames regulares e cuidarem da saúde da mama.
A campanha também busca reforçar o apoio emocional e a valorização da autoestima das pacientes, promovendo informações sobre cuidados médicos e qualidade de vida.

