
Procedimentos e tecnologias são aliados importantes, mas não substituem o básico. Uma pele saudável começa com hábitos consistentes
Por Dra. Priscila Passamani
Quando pensamos em cuidados com a pele, é comum associar o tema a cremes, procedimentos e tecnologias. Mas, na prática clínica, uma coisa fica cada vez mais evidente: a pele reflete, de forma muito direta, o nosso estilo de vida. Muito longe de ser apenas um fator estético, a pele é um dos maiores indicadores da nossa saúde, afinal, é o nosso maior órgão. E isso significa que fatores como alimentação, qualidade do sono, níveis de estresse e até nossas relações impactam diretamente sua aparência e funcionamento.
Recentemente, tive a oportunidade de vivenciar isso de forma muito clara durante uma imersão na Coreia do Sul – hoje uma das maiores referências mundiais quando falamos em beleza, rejuvenescimento e longevidade. Lá, o cuidado com a pele não é um gesto isolado, mas parte de um estilo de vida baseado em prevenção e cuidado.
Os asiáticos ensinam muito sobre essa visão mais ampla de saúde. Existe uma cultura de prevenção muito forte, mas também uma valorização do bem-estar no dia a dia. Eles se alimentam com atenção, respeitam o tempo das refeições, valorizam o descanso e constroem uma rotina de cuidados com constância. Tudo isso se reflete na pele.
A produção de colágeno, por exemplo, não depende só dos estímulos externos que fazemos no consultório. Ela está diretamente ligada ao que acontece dentro do organismo. Uma alimentação pobre em nutrientes, especialmente em proteínas, pode comprometer esse processo. O colágeno é uma proteína, e sua produção exige matéria-prima adequada.
O sono também tem um papel fundamental. É durante o descanso que o corpo realiza processos importantes de regeneração celular. Dormir mal, de forma crônica, favorece o aumento da inflamação e acelera o envelhecimento da pele. O estresse é outro fator importante. Altos níveis de cortisol estão associados à quebra de colágeno, aumento da oleosidade, piora de quadros inflamatórios e até ao surgimento de manchas. É um impacto que vai muito além do emocional.
Na dermatologia contemporânea, esse olhar mais amplo tem ganhado cada vez mais espaço. Por isso, falamos tanto em prevenção, longevidade e wellness. Esse, inclusive, é um tema que tenho buscado aprofundar na minha própria formação. No segundo semestre deste ano começo a pós-graduação em Medicina do Estilo de Vida do Hospital Israelita Albert Einstein, com foco em longevidade e prevenção.
Procedimentos e tecnologias são aliados importantes, mas não substituem o básico. Uma pele saudável começa com hábitos consistentes: alimentação equilibrada, sono de qualidade, atividade física e manejo do estresse. Talvez essa seja uma das maiores mudanças na forma de enxergar a beleza hoje, que deixa de ser apenas um resultado externo e passa a ser consequência de um cuidado integral.
Priscila Passamani é médica dermatologista da SBD e dentista

