Projeto reúne alunos, produtores audiovisuais e setor público para desenvolver experiência imersiva sobre um dos principais patrimônios históricos da Serra
Por Nathanael Rodor
Alunos do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Campus Serra estão produzindo um mini documentário em realidade virtual sobre a Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida. A proposta é permitir que visitantes explorem virtualmente o patrimônio histórico por meio de óculos VR, com imagens imersivas dos corredores, altares e elementos arquitetônicos da construção do século XVI.
A iniciativa faz parte da oficina “Realidade Virtual”, realizada entre maio e junho em parceria entre a Prefeitura da Serra, o Ifes Campus Serra, o Instituto Modus Vivendi e a produtora Rocket Filmes. Ao longo da formação, os estudantes participaram de aulas sobre audiovisual, roteiro, captação de imagens e edição de conteúdo imersivo. Ao final, os participantes receberão certificado de formação.
Segundo a produtora executiva Maria Marta Tomé, a escolha da Igreja dos Reis Magos ocorreu por sua relevância histórica e pelo potencial de aproximar tecnologia, turismo e patrimônio cultural. “Quando transportamos patrimônios para o ambiente digital, criamos uma camada de proteção contra o tempo e ampliamos o acesso ao conhecimento”, afirma. A expectativa é expandir futuramente a iniciativa para outros patrimônios e manifestações culturais da Serra por meio de novos editais e parcerias.
A aproximação entre tecnologia e produção audiovisual também faz parte da estratégia de formação do Ifes Serra. De acordo com o coordenador de Extensão, Celio Maioli, temas como inteligência artificial já integram disciplinas dos cursos de Engenharia de Controle e Automação e Sistemas de Informação, enquanto experiências em realidade virtual vêm sendo ampliadas em projetos de curta duração. “É fundamental que os estudantes desenvolvam seu potencial criativo e reconheçam oportunidades de atuação”, destaca.
Responsável pela produção técnica da oficina, Alexandre Bizinoto Macedo explica que a lógica do conteúdo em realidade virtual é diferente do audiovisual tradicional. Segundo ele, enquanto o formato convencional trabalha a emoção, o VR busca gerar sensação de presença e imersão no ambiente. A produção também exige desafios específicos, como adaptação de iluminação e captura de imagens em espaços amplos e históricos. “Pesquisa, autorizações e negociação com equipes são essenciais para alinhar o trabalho com a entidade”, continua.
A estudante Jhessye Lorrayne Fraga da Silva, do curso de Sistemas de Informação, afirma que a oficina ampliou o contato dos alunos com diferentes formatos de audiovisual e computação gráfica. O projeto foi viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio de edital da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer da Serra, com apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal.


