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Outubro Rosa: estimativa é de que número de casos de câncer de mama cresça

Dados estaduais e nacionais mostram estimativa no aumento de casos, destacando a importância da detecção precoce, do acesso a exames e de terapias modernas no SUS

Por Thamiris Guidoni

O câncer de mama continua sendo um desafio de saúde pública no Espírito Santo e em todo o Brasil, com tendência de aumento tanto na incidência quanto na mortalidade. No Espírito Santo, segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), no estado a estimativa é de cerca de 900 novos casos de câncer de mama por ano entre 2023 e 2025, o que equivale a um risco de 42,2 casos por 100 mil mulheres.

Os dados estaduais mostram que a doença atinge principalmente mulheres a partir dos 40 anos, com maior incidência entre 50 e 69 anos. As regiões Sul e Metropolitana concentram o maior número de casos, enquanto o aumento da mortalidade é mais acentuado nas regiões Norte e Sul, revelando desigualdades no acesso ao diagnóstico e tratamento.

No âmbito nacional, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projetam 73.610 novos casos de câncer de mama para 2025. Em 2023, foram registrados mais de 20 mil óbitos, concentrados principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

Santa Catarina apresenta a maior taxa ajustada do país, com 74,79 mortes por 100 mil mulheres. O relatório também aponta tendência de redução da mortalidade entre mulheres de 40 a 49 anos, reforçando a importância do diagnóstico precoce.

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Durante o Outubro Rosa 2025, o Ministério da Saúde lançou o relatório “Controle do Câncer de Mama no Brasil: Dados e Números 2025“, que reúne informações sobre incidência, mortalidade, fatores de risco, rastreamento e acesso ao tratamento.

Segundo o estudo, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias em 2024, sendo 2,6 milhões em mulheres da faixa etária prioritária (50 a 74 anos).

A tabela 1 mostra a distribuição dos casos de câncer de mama feminino em 2020, segmentada por região de saúde do Estado. Vale destacar que os dados do Painel de Oncologia referem-se aos casos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


A tabela 2 apresenta a distribuição dos casos de câncer de mama no Espírito Santo entre mulheres, segmentados por faixa etária, no período de 2015 a 2024.

Observa-se que, entre as mulheres mais jovens, as taxas de incidência permanecem baixas, inferiores a 10 casos por 100 mil. Apesar de representarem uma importância epidemiológica menor, esses casos em idades precoces merecem atenção especial devido à agressividade biológica característica dos tumores nessa faixa etária.


A mortalidade por câncer de mama no Espírito Santo apresentou tendência de crescimento entre 2015 e 2024. A taxa estadual subiu de 13,8 para 18,4 por 100 mil mulheres, e o total de óbitos passou de 269 para 385.

As diferenças regionais são evidentes: a Metropolitana concentra o maior número de mortes, enquanto Norte e Sul registram aumento proporcional mais acentuado. A Região Central mantém taxas relativamente estáveis, mas com leve crescimento, reforçando a necessidade de vigilância e acesso a serviços oncológicos.


A tabela 4 apresenta a distribuição dos óbitos por câncer de mama entre mulheres do Espírito Santo, segmentados por faixa etária, entre 2015 e 2024.

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Observa-se que a mortalidade entre mulheres jovens (20–39 anos) permanece muito baixa, com médias inferiores a 10 casos por 100 mil. Apesar da baixa frequência, esses óbitos merecem atenção especial, pois costumam envolver tumores agressivos e diagnóstico tardio, em linha com achados de outros estudos.


Para ampliar o acesso e modernizar o atendimento, o programa Agora Tem Especialistas prevê:

  1. 121 novos aceleradores lineares até 2026;
  2. A atuação de 27 carretas da Saúde da Mulher em 22 estados;
  3. Distribuição de novos medicamentos modernos para tratamento do câncer de mama.

“O câncer exige resposta rápida. No SUS, tempo é vida — e por isso estamos fortalecendo toda a linha de cuidado, do rastreamento ao tratamento”, afirmou José Barreto, diretor do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde.

No Espírito Santo, a cobertura do rastreamento ainda apresenta desigualdade regional. Embora tenha havido avanços, a realização de mamografias em mulheres de 50 a 69 anos não atinge toda a população-alvo de forma uniforme.

Regiões como a Sul e a Metropolitana registram maior número de exames, enquanto o Norte apresenta cobertura menor, indicando a necessidade de políticas mais equitativas para garantir acesso oportuno ao diagnóstico.

Entre os fatores de risco, destacam-se: idade avançada, histórico familiar, mutações genéticas (BRCA1 e BRCA2), menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade e uso prolongado de hormonioterapia.

Além disso, desigualdades sociais e raciais aumentam a vulnerabilidade de mulheres negras e residentes de áreas com menor cobertura de saúde, que frequentemente têm diagnóstico tardio e maior risco de complicações.

O tratamento do câncer de mama no Espírito Santo segue protocolos nacionais, incluindo cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo. A legislação brasileira assegura que o início do tratamento ocorra em até 60 dias após o diagnóstico, garantindo maior chance de sucesso.

O boletim estadual também destaca cuidados de reabilitação e acompanhamento pós-tratamento, incluindo cirurgias reconstrutivas e atenção à qualidade de vida das pacientes.

A combinação de dados estaduais e nacionais evidencia que o câncer de mama é uma prioridade de saúde pública. O Outubro Rosa 2025 reforça a necessidade de ampliar a cobertura do SUS, reduzir desigualdades regionais e fortalecer a rede de atenção à saúde da mulher, com foco na prevenção, diagnóstico precoce e terapias modernas.

Especialistas alertam que cada exame realizado, cada consulta agendada e cada tratamento iniciado precocemente pode salvar vidas, destacando que políticas públicas efetivas e campanhas de conscientização continuam sendo essenciais para combater a doença.

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