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O valor da amizade (e o preço da traição)

O valor da amizade (e o preço da traição)

A amizade verdadeira é rara, e por isso mesmo, preciosa. Requer presença, lealdade e, de vez em quando, um pouco de humor

Por André Gomyde

A amizade é uma das invenções mais bonitas da humanidade, logo depois do pão de queijo e antes do café coado. É o tempero que faz a vida ter gosto, o elo invisível que mantém a sanidade nos dias difíceis e o riso fácil nos dias bons. Sem amizade, a existência seria uma planilha interminável: números certos, mas sem emoção nenhuma.

A amizade entre um casal, por exemplo, é o que separa o amor maduro do simples convívio sob o mesmo teto. É ela que faz com que um olhe para o outro e pense: “com essa pessoa eu posso ser eu mesmo, até quando estou errado”. É a segurança de poder confessar o medo mais bobo ou o sonho mais secreto, sem medo de virar manchete no grupo da família. Casais que são amigos têm cumplicidade; casais que não são amigos têm boletos.

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No trabalho, a amizade é aquele lubrificante invisível que faz a engrenagem girar sem ranger. Quando há amizade, ninguém quer brilhar sozinho – o brilho é coletivo. E o sucesso de um é comemorado como o gol do time. Quando não há, o colega se transforma em fiscal de erro: observa, anota e aguarda o momento certo de dizer “eu avisei”.

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A amizade entre pais e filhos, então, é o segredo da confiança verdadeira. Não é ser “amiguinho” permissivo, mas ser aquele porto seguro onde o filho sabe que pode ancorar sem ser julgado. É a amizade que transforma o medo em diálogo e a bronca em aprendizado. É ela que ensina que o mundo pode ser duro, mas que há sempre alguém com quem contar.

Mas – e sempre há um “mas” – quando a amizade é traída, quando alguém empenha a palavra e não cumpre, tudo desmorona. A confiança, essa coisa delicada que leva anos para se construir, se quebra num estalo. O silêncio substitui o riso, e o olhar cúmplice dá lugar ao olhar desconfiado. A traição na amizade dói mais que a chuva no churrasco.

Vale o perdão? Sempre. Mas perdoar não é transformar o errado em certo, nem dizer “tudo bem” quando não está tudo bem. Perdoar é deixar ir. É tirar o peso das costas, sem carregar o erro do outro junto. É olhar para o passado com serenidade e seguir em frente mais leve, sem precisar fingir que nada aconteceu.

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A amizade verdadeira é rara, e por isso mesmo, preciosa. Requer presença, lealdade e, de vez em quando, um pouco de humor. E se um dia ela se rompe, que pelo menos reste o aprendizado: o de nunca prometer o que não se pode cumprir e o de saber que, entre tantas coisas valiosas da vida, a amizade, essa sim, é patrimônio emocional da humanidade.

André Gomyde é presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis e Mestre em Administração pela FCU, nos Estados Unidos. Instagram: @andre.gomyde

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