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O Amor nunca sai de cena

O Amor nunca sai de cena

Os diversos tipos de amor refletem a complexidade das relações humanas e são fundamentais para o desenvolvimento moral do indivíduo e da sociedade

Por Robson Melo

Falar de amor é chover no molhado? Para alguns, o tema soa bobo, um sentimento que só ganha espaço em datas comemorativas, quando ficamos mais sensíveis, ou então proselitismo barato. À primeira vista, talvez pareça isso mesmo. Ainda assim, acredito que o amor nunca foi tão necessário e oportuno quanto nos tempos que temos vivido neste início de século XXI.

A bem da verdade, o amor tem sido um tema recorrente e necessário para muitas pessoas. Dos grandes escritores e filósofos a nós, pessoas comuns, ele se mantém presente de maneira indelével.

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Gabriel García Márquez (1927–2014), Prêmio Nobel de Literatura em 1982, escreveu O Amor nos Tempos do Cólera, grande romance publicado em 1985, no qual explora uma épica história de amor entre Florentino Ariza e Fermina Daza, personagens já maduros, com mais de cinquenta anos. A narrativa se passa em uma cidade fictícia da Colômbia, marcada por epidemias de cólera e por conflitos armados.

Além de retratar a rígida estrutura social da época, com bairros nobres e periféricos claramente delimitados, bem como um forte preconceito étnico e social, García Márquez entrelaça a doença física, o cólera, à “cólera” entendida como raiva e fúria alimentadas pelas guerras e pelas injustiças. Tudo isso há cerca de cem anos.

Também na filosofia grega o amor é apresentado sob várias formas. O amor Eros é descrito como um desejo que impulsiona o indivíduo em direção à beleza e ao conhecimento. Philia, por outro lado, é o amor baseado na amizade e na reciprocidade, sendo essencial para a construção de laços sociais e comunitários. Já Ágape, um conceito que ganha destaque no cristianismo, é o amor altruísta e incondicional, que transcende os interesses pessoais.

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No cotidiano de nossas vidas, dizemos ainda do amor materno ou paterno, essenciais para gerar autoestima e saudáveis relacionamentos futuros de crianças e adolescentes; do amor filial que diz da relação entre pais e filhos, que se expressa autenticamente no respeito, gratidão, cuidado e compreensão, reforçado a cada dia na prática de atitudes e não apenas nos sentimentos; do amor de casal que tem base no afeto, respeito, admiração e fidelidade para o crescimento mútuo; do amor de Deus que é incondicional, transcendente e transformador e que, segundo Paulo aos cristãos de Corinto na Grécia Antiga, “é paciente, é prestativo, não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho, não se alegra com a injustiça“ e mais, que até é “maior que a fé e a esperança”; do amor social que se baseia na solidariedade, na responsabilidade mútua e na busca pelo bem comum.

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Daí que o Papa Francisco, inspirado pelo ideal de Francisco de Assis, publicou a sua encíclica Fratelli Tutti que é um apelo global para uma nova forma de viver e se relacionar, baseada no amor, na solidariedade e na busca de um mundo onde todos sejam reconhecidos como irmãos e irmãs, conectados uns aos outros e à Terra.

Cabe reforçar, ainda, que estes amores precisam estar entrelaçados. Afinal, é no lar que se aprende a cuidar e perdoar; é na amizade que exercemos cumplicidade e interesse comum; é na vida a dois que nos mantemos firmes e solidários nas dificuldades, para então amar sem medida pelo bem comum, apesar das raivas sociais e suas consequentes guerras; é na sociedade que estão as oportunidades de crescimento e desenvolvimento e, por fim, como amar a Deus se não amar o próximo?

Os diversos tipos de amor refletem a complexidade das relações humanas. O amor, em suas diversas manifestações, é fundamental para o desenvolvimento moral, intelectual e espiritual do indivíduo e da sociedade. Então falemos sim sobre o amor e, mais que isso, expressemos o amor com ações concretas desde a nossa casa familiar à Casa Comum.

Robson Melo é Presidente Executivo da FUNDAES, a Federação do Terceiro Setor Capixaba

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