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O Brasil é indígena: 300 anos de sobrevivência

O Brasil é indígena: 300 anos de sobrevivência

O Dia dos Povos Indígenas traz reflexões inevitáveis no contexto atual, com o avanço do garimpo em terras ianomâmis, denúncias de invasões de territórios demarcados, o adoecimento dos povos e o envenenamento da terra

Por Manoel Goes Neto

Celebramos no Brasil, apesar de pouco lembrado, o Dia dos Povos Indígenas (anteriormente Dia do Índio) em 19 de abril. A data, oficializada em 1943, celebra a rica diversidade cultural, história e resistência dos povos originários, além de reforçar a luta por direitos, demarcação de terras e combater preconceitos. A data, por influência de Marechal Rondon, importante indigenista brasileiro, homenageia o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado em 19 de abril de 1940, no México, que reuniu representantes de diversas etnias para proteger seus direitos. Mais que uma celebração, é um marco de luta contra a repressão histórica e pela garantia da preservação cultural e ambiental. A cultura brasileira é profundamente influenciada pelos povos originários em termos de alimentação (mandioca, milho), vocabulário (tupi-guarani), hábitos (uso da rede de dormir) e medicina popular, etc.

O Município de Aracruz, no Espírito Santo, é o único a ter indígenas aldeados vivendo em terras homologadas pela União, uma conquista dos nossos irmãos originários do nosso estado. Temos no ES mais de 14 mil indígenas. Em Santa Cruz, distrito de Aracruz temos 12 aldeias indígenas de etnia Guarani e Tupiniquim. De acordo com o Censo 2022 sobre os povos indígenas, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a população indígena do país chegou a 1.693.535 pessoas, o que representa 0,83% do total de habitantes.

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“Os povos indígenas são parceiros inestimáveis no fornecimento de soluções para as mudanças climáticas e na criação de um mundo sem fome. Nunca alcançaremos soluções a longo prazo para as mudanças climáticas e para a segurança alimentar e nutricional sem buscar ajuda e proteger os direitos dos povos indígenas.” (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO).

O Dia dos Povos Indígenas traz reflexões inevitáveis no contexto atual, com o avanço do garimpo em terras ianomâmis, denúncias de invasões de territórios demarcados, o adoecimento dos povos e o envenenamento da terra que não perdoa sequer os recém-nascidos e já os contamina com mercúrio antes mesmo de respirarem. O desafio dos povos indígenas, em muitos casos, é o desafio da sobrevivência.

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Com o objetivo de revisar a visão histórica europeia da colonização da Capitania do Espírito Santo, com uma visão diferente de contar nossa história, o IHGVV Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha, produz a Exposição Olhares Indígenas, a ser realizada em maio, na galeria da Casa da Memória de Vila Velha na Prainha, onde os vencedores foram dois artistas de etnia Guarani de Aracruz, o pintor e escultor Claudiomiro Vaz, e a artesã escultora Sônia Martine. Ambos os artistas contemplados, têm vasta participação em exposições, eventos e encontros de divulgação e disseminação da arte e da cultura dos povos originários Cada artista vai receber uma premiação de 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) bolsa de participação.

“No dia em que não houver lugar para o índio no mundo, não haverá lugar para mais ninguém. Honrar os povos indígenas é proteger seus territórios, respeitar sua autonomia e reconhecer sua centralidade na construção de um Brasil mais justo, plural e vivo”, afirma Ailton Krenak escritor membro da Academia Brasileira de Letras e expoente da luta pelos direitos dos povos indígenas há décadas.

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Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e membro do IHGES

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