O amor e as aflições

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“Amar não é aceitar tudo, é ser capaz de dizer ‘não’ ao que tem que ser recusado.”
M.S. Cortela

Nessa hora, costumo lembrar um alerta valioso feito pelo Corpo de Bombeiros: nenhum incêndio começa grande, e sim com uma faísca, uma fagulha, um disparo. Isso se aplica ao campo da ética. O apodrecimento dos valores éticos positivos se inicia também com pequenos delitos, infrações, aceitações, conivências.

A expressão “o amor aceita tudo” é absolutamente antiética e antipedagógica. A pessoa que seja capaz de amar é aquela que recusa aquilo que faz mal, por isso um pai e uma mãe não pode jamais dizer ao filho: “É porque te amo, então tudo aceito”. É exatamente o inverso: porque te amo é que eu não quero que você use drogas ilegais; é porque te amo que eu quero que você seja decente; é porque te amo que eu não quero que você banalize a sua sexualidade livre e bonita; é porque te amo que eu quero que você tenha esforço na sua produção; e é porque você me ama que eu quero que você, meu filho, minha filha, me advirta, também me apoie, também me corrija naquilo que eu estiver equivocado.

Essa relação de cuidado mútuo só nos faz crescer. Por isso esse exemplo do cotidiano tem que aparecer como sendo a recusa com qualquer situação. A ética do amor não é a ética da conveniência, em que as coisas valem a partir de qualquer momento, mas uma ética que é capaz, também de dizer “não” ao que tem que ser recusado.

Neste mundo vocês terão aflições!

Jesus Cristo.

Às vezes temos a sensação de que algumas pessoas não enfrentam aflições. Mas sei que não é verdade. Não há quem viva e não as enfrente. Certamente que há pessoas que sofrem aflições mais severas, atravessam terrenos mais perigosos e tenham dores muito maiores que outros. Talvez uma das aflições é que as aflições não sejam distribuídas de forma que consideraríamos justa. Alguns passam por tantos problemas que têm a sensação de que tudo, no caso deles, sempre dá errado. Já outros são vistas como felizardos, pois tudo parece dar certo. Assim é a vida. Não é como pensamos que deveria ser, mas apenas é como é.

Mas há algo que devemos considerar: como enfrentamos as nossas aflições?

Na busca por enfrentá-las e superá-las, precisamos assumir nossas responsabilidades sobre elas, sempre que for o caso. Há dores que nos vêm sem que tenhamos contribuído ou dado causa. Mas há outras que só nos chegam porque fazemos escolhas erradas, porque agimos de maneira irresponsável. Precisamos também manter a calma e o equilíbrio ao enfrentar aflições. O que não significava ser lento! Às vezes a aflição que chega exige rapidez de ação, pressa. O que devemos evitar é o desespero, pois ele nos impede de lidar adequadamente com as angústias. Há pessoas que, pelo modo como reagem, tornam-se um problema pior do que aquele que enfrentam.

Não podemos escolher uma vida sem aflições, mas podemos aprender a enfrentá-las da maneira certa. Podemos amadurecer com as lutas da vida. Podemos aprender a reagir melhor, a suportar as dores e a crer, reconhecendo a presença e a bondade de Deus mesmo no meio de nossos problemas.

Não deixe as aflições vencerem você. Com responsabilidade, equilíbrio, atitude corajosa e confiança em Deus.

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