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Manifestações: entre a voz do povo e os desafios da democracia

Além do impacto nas ruas, as manifestações têm reflexos diretos na política: a pressão sobre líderes do Congresso NacionalManifestações: entre a voz do povo e os desafios da democracia

Por André Pereira César

Empate com muitos gols. Esse foi o saldo aparente das manifestações populares do mês de setembro. De um lado, mais de 40 mil defensores da anistia no 7 de setembro. De outro, número similar no domingo, 21 de setembro, ambos na Avenida Paulista. A polarização (“calcificação”) segue seu curso.

Algumas observações. Em primeiro lugar, o evento de domingo surpreendeu a muitos por conta da anunciada incapacidade da esquerda de mobilizar seus apoiadores via redes sociais, ao contrário dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O que se viu foi um engajamento há anos não visto, muito pela participação de artistas e outras figuras públicas, mas não só. O assunto realmente mexeu com essa parcela da sociedade civil.

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Além disso, o perfil dos participantes das duas manifestações não podia ser mais distinto. No caso dos bolsonaristas, predominou (ainda) o amarelo canarinho da camisa da CBF, com palavras de ordem seguindo lideranças como o pastor Silas Malafaia e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG), figuras já carimbadas no universo da direita. Do outro lado, uma classe média/média alta de certa escolaridade, que estava fugindo de embates públicos. O debate será mais qualificado a partir de agora?

Há o plano simbólico, evidentemente. A enorme bandeira norte-americana do 7 de setembro teve como contraposição a brasileira. Os grupos trocam mensagens de maneira clara.

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À esquerda, nota-se certo incômodo com a votação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados. Parlamentares do PT, do PSB e do PDT apoiaram a proposta, o que indica que a questão transcende os interesses de esquerda e direita. Outros elementos compõem esse jogo.

Por fim, para além da Paulista, chamou a atenção a presença do público em outras capitais, como Rio de Janeiro, Salvador e Brasília. Mais um alento para uma esquerda que apenas assistia ao jogo politico sem se manifestar.

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Agora, resta acompanhar os próximos movimentos, em especial do Congresso Nacional. A princípio, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB) será ainda mais pressionado e poderá sair menor do episódio. Já o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil/ AP), ganha motivos adicionais para fazer avançar a “anistia light” (com redução de penas de condenados pelo 8 de janeiro) e barrar o projeto da Câmara. A PEC da Blindagem, por sua vez, pode perder tração. A conferir.

O debate nacional entra em novo plano. Resta saber se o ocorrido ao longo do mês de setembro terá continuidade ou se trata apenas de um sonho de primavera.

André Pereira César é Cientista Político e sócio da Hold Assessoria Legislativa.

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