Certificado de Crédito de Massa Futura pioneiro incentiva logística reversa, atrai investimentos e amplia inclusão de catadores no Estado
Por Nathanael Rodor
O Espírito Santo saiu na frente ao criar um mecanismo inédito no país para enfrentar um dos principais desafios ambientais urbanos: o destino dos resíduos sólidos. Instituído pela Portaria Seama nº 008-R, o Certificado de Crédito de Massa Futura permite que empresas antecipem investimentos em coleta e reciclagem e contabilizem, desde já, metas a serem cumpridas em até cinco anos.
Na prática, o modelo cria um incentivo direto à estruturação da cadeia de reciclagem. Ao investir em coleta seletiva, centrais de triagem e inclusão socioprodutiva de catadores, o setor empresarial cumpre exigências legais enquanto fortalece um mercado ainda em consolidação. A medida também contribui para reduzir o volume de resíduos destinados a aterros, um dos principais gargalos da gestão ambiental.
A iniciativa se insere na política de logística reversa prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e incorporada à estratégia estadual. O princípio é claro: produtos e embalagens devem retornar ao ciclo produtivo após o consumo, seja como matéria-prima ou com destinação adequada. Mais do que obrigação, trata-se de uma mudança de lógica — do descarte para o reaproveitamento.
Segundo a gerente da Seama, Fernanda Furtado Orletti, o avanço depende da atuação conjunta de diferentes atores. A responsabilidade é compartilhada entre empresas, poder público e consumidores, ainda que com papéis distintos ao longo da cadeia. Enquanto o setor produtivo estrutura sistemas de retorno, os municípios respondem pela limpeza urbana e a população pelo descarte correto.

O certificado também abre espaço para ampliar modelos de compensação já utilizados no país, como os créditos de logística reversa, aumentando escala e efetividade. A proposta, segundo Orletti, é transformar resíduos em oportunidade, gerando renda, emprego e novos negócios.
Um dos pilares da política é a inclusão das cooperativas de catadores, consideradas essenciais para o funcionamento do sistema. Nesse contexto, a coleta seletiva ultrapassa a dimensão ambiental e se consolida como política social e econômica. O desafio, porém, vai além da criação de instrumentos: exige articulação entre setores e mudança de comportamento. Com o novo modelo, o Estado testa um caminho que combina regulação, incentivo econômico e impacto social — e que pode servir de referência nacional.
Essa matéria é uma republicação da edição 233 da Revista ES Brasil – ES Em Números. Confira a edição digital completa aqui.

