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Inadimplência: economistas do ES analisam pix parcelado

Especialistas reforçam que o uso irresponsável do pix parcelado pode resultar em endividamento significativo para consumidores

Por Amanda Amaral

O Banco Central adiou a regulamentação do pix parcelado – modalidade que já era oferecida por algumas instituições financeiras, mas que será padronizada para facilitar o acesso da população em geral. O lançamento da nova linha de crédito ocorreria em setembro e não foi divulgada nova data. O comércio aguarda a novidade com expectativa, mas especialistas alertam para possível aumento do endividamento das famílias, fator que retrai vendas. 

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) é um termômetro importante para avaliar as expectativas do setor. No Espírito Santo, ele vem crescendo. O estado foi o único do Sudeste a registrar alta na comparação entre julho de 2025 e 2024. Houve retração em São Paulo (-2,9%) e Minas Gerais (-0,6%) e estabilidade no Rio de Janeiro (0%). O índice superou até mesmo a média nacional, (-1,8%).

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Contudo, o cenário é de incertezas, com a alta da Selic, mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em sua última reunião. Para a professora da UVV e conselheira do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Adriana Rigoni, o Banco Central busca regulamentar o pix parcelado de forma a torná-lo vantajoso, com juros menores que os do cartão de crédito, uma vez que o intermediário é eliminado e o empréstimo é direto com o banco.

“O objetivo é oferecer uma alternativa mais acessível à classe trabalhadora”, disse. Rigoni destaca ainda que a definição sobre a regulamentação não é simples, considerando que há pressões políticas e internacionais. Como alternativa, comerciantes interessados podem procurar bancos que já operam com pix parcelado para facilitar as vendas e aproveitar o potencial do serviço.

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Mesmo sem regulamentação oficial do governo, o parcelamento do pix já existe, menos para fintechs. Ela ressalta que a modalidade pode beneficiar consumidores de baixa renda quem não têm acesso a cartão de crédito, já que funcionará de forma semelhante, o que pode potencializar as vendas do comércio.

Inadimplência: economistas do ES analisam pix parcelado
A economista Adriana Rigoni comenta sobre o pix parcelado. Foto: Divulgação

Sobre a expectativa dos empresários, o conselheiro do Corecon-ES, o economista Vaner Corrêa, avalia que, na análise comparativa com o cartão de crédito, o PIX parcelado seria uma opção para impulsionar vendas. “No pix quem vende não precisaria pagar taxa de administração nem a Administradora de Cartão de Crédito e nem a máquina do cartão, ou seja, o comerciante, por exemplo, um vendedor de coco, eliminaria os atravessadores financeiros da praça, portanto, o produto dele poderia remunerá-lo melhor”, explica.

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Perigos do crédito

Contudo, Vaner reflete sobre a questão da inadimplência: “agora, como garantir se no parcelamento do pix, na primeira, segunda, terceira parcela, vai ter dinheiro na conta? Este é um problema prático. Pode existir golpes. É um problema menor, mas, possível”.

Inadimplência: economistas do ES analisam pix parcelado
O economista Vaner Corrêa também alerta sobre endividamento. Foto: Divulgação

Atualmente, segundo dados de agosto, apesar das famílias capixabas começarem a quita suas dívidas, o percentual das pessoas que continuam endividadas é de cerca de 87%, com ticket médio do cartão de crédito em R$ 1.296,64 e o valor da dívida média de R$ 5.904,37. Rigoni alerta que o consumidor deve ter consciência de que o pix parcelado envolve juros e várias datas de pagamento, o que pode gerar endividamento se não houver controle financeiro.

A professora reforça a importância da educação financeira, lembrando que bancos já disponibilizam aplicativos e faculdades oferecem programas de orientação para a população. “O crédito, seja os instrumentos mais antigos, seja o pix, deve ser usado com prudência. O uso do crédito, sem planejamento, é o início da ruina financeira”, afirma Vaner Corrêa.

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