A queda de 1,7 ponto percentual na inadimplência das famílias, deve aumentar intenção de compra e impulsionar as vendas
Por Amanda Amaral
A inadimplência no Espírito Santo caiu 1,7 ponto percentual em agosto deste ano na comparação anual. O indicador em 33,3% deve ampliar a intenção de compra das famílias e impulsionar as vendas do comércio. O nível de endividamento no estado também retrocedeu, está em 87,4% (famílias com alguma dívida), abaixo dos 90,7% registrados no mesmo mês de 2024.
Os dados são do levantamento do Connect Fecomércio-ES, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O cenário em agosto mostra que 70 mil pessoas saíram da inadimplência em um ano. Contudo, no período, o percentual das pessoas que continuam endividadas é de cerca de 87%, com ticket médio do cartão de crédito em R$ 1.296,64 e o valor da dívida média de R$ 5.904,37.
A análise da Fecomércio ES destaca ainda que, em agosto, a inadimplência das famílias de menor renda se manteve estável em 37,2%, 3,6 pontos percentuais acima da média nacional (33,6%), e que apesar do valor alto, o índice apresenta queda constante, já que em setembro de 2023, era de 45,9%.
No período analisado, as famílias de menor renda continuam sendo as mais endividadas no Espírito Santo (55,3%), e destas, 45,3% afirmaram que conseguiriam quitar total ou parcialmente suas dívidas em atraso no próximo mês, frente a 45% em julho. Segundo o coordenador do eixo Observa do Connect Fecomércio-ES, o Observatório do Comércio, esse movimento reduz pressões sobre o orçamento das famílias e pode favorecer as compras de fim de ano.
O cartão de crédito é a principal fonte de endividamento (90%) e o financiamentos de imóveis e veículos entre as de maior renda. Nas famílias com renda de até 10 salários mínimos, 52% das dívidas são de curto prazo (até seis meses) e 48% de longo prazo (acima de seis meses), enquanto entre as de maior renda as dívidas de curto prazo representam 54,2% e as de longo prazo 45,8%.
No que se refere à renda comprometida, quase metade (48,7%) das famílias de menor renda destinam de 11% a 50% da renda mensal para dívidas, enquanto entre as de maior renda predomina o comprometimento de até 10% (44,5%), evidenciando maior folga financeira.
“As famílias capixabas se endividam de maneiras diferentes conforme a faixa de renda, pois as de menor renda enfrentam maior peso das dívidas no orçamento mensal, muitas vezes comprometendo uma fatia significativa da renda, enquanto as de maior renda conseguem manter os compromissos financeiros em níveis mais equilibrados e com menor impacto sobre o dia a dia”, explicou André Spalenza, coordenador do eixo Observa do Connect Fecomércio-ES, o Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.

