
Até 2031, estão previstos R$ 102 bilhões em investimentos produtivos no Estado, dos quais mais de 60% estão concentrados na indústria
Por Marília Silva
A pandemia da COVID-19, a ampliação dos conflitos geopolíticos e a crescente demanda por melhoria da qualidade de vida têm levado países a fortalecer suas indústrias em busca de maior autonomia, autossuficiência em áreas estratégicas e garantia de soberania. As principais economias globais já mobilizam mais de US$ 12 trilhões em políticas industriais, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Mas, afinal, por que esses países estão apostando no setor industrial para responder a desafios tão amplos e diversos?
A resposta passa por um quase clichê, mas, ainda assim, uma realidade inegável: a indústria funciona como o motor da economia. Por ser intensiva em tecnologia e inovação, a atividade industrial gera ganhos de produtividade e efeitos que se disseminam pelos demais setores, seja pela produção de bens de maior valor agregado, seja pela demanda por serviços mais complexos.
O que está em curso é o retorno do setor industrial ao centro das políticas de desenvolvimento e crescimento econômico. Na esteira desse processo, foi lançada, em 2024, a Nova Indústria Brasil – política industrial para estimular o desenvolvimento socioeconômico do país com avanços nos processos produtivos e tecnológicos, ampliando a competitividade e a complexidade da indústria nacional.
Esse papel central da indústria no desenvolvimento socioeconômico não é novo. O Espírito Santo é um exemplo claro disso. Ao longo do século XX, a economia esteve baseada na cultura do café até o final dos anos 1950. A partir das décadas de 1960 e 1970, foi a indústria que passou a tracionar a economia, inicialmente com setores tradicionais, como o de alimentos e o de vestuário, e, posteriormente com a indústria de base com a chegada dos grandes projetos industriais. Esse processo foi acompanhado pelo fortalecimento das cadeias produtivas, pela geração de empregos qualificados e pelo aumento da renda no Estado. Já na década de 2010, ocorreu a expansão da indústria de petróleo e gás, com a exploração na camada do pré-sal.
A centralidade histórica da indústria no desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo explica sua participação de 28,5% na economia capixaba, segundo dados do IBGE para 2023, posicionando o Estado como o sexto mais industrializado do país. Parte relevante dessa estrutura está concentrada em setores já consolidados, como petróleo e gás; minerais metálicos; metalurgia; minerais não metálicos; alimentos; papel e celulose; e manutenção e instalação de máquinas e equipamentos, que, juntos, respondem por 76,95% do valor adicionado da indústria. Ao mesmo tempo, quando olhamos para trás, essa concentração era ainda maior em 2013 (83,99%), indicando o início de um processo de diversificação da estrutura produtiva no Estado.
A diversificação da economia capixaba é um desafio que vem ganhando tração e já se materializa em investimentos concretos, como aponta o OBSERVATÓRIO FINDES por meio da Bússola do Investimento. Até 2031, estão previstos R$ 102 bilhões em investimentos produtivos no Estado, dos quais mais de 60% estão concentrados na indústria. Esse ciclo reúne tanto a expansão de setores já consolidados quanto a incorporação de novas tecnologias e processos, incluindo projetos voltados à descarbonização.
Mais do que ampliar capacidade, esses investimentos representam de um importante avanço na direção de uma estrutura produtiva mais complexa, diversificada e alinhada às novas exigências tecnológicas e ambientais, reforçando o papel da indústria como vetor do desenvolvimento econômico do Estado.
Marília Silva é Economista-chefe da FINDES e gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES
Esse artigo é uma republicação da edição 233 da Revista ES Brasil – ES Em Números. Confira a edição digital completa aqui.

