Inadimplência avança e as dívidas dos capixabas podem limitar compras de fim de ano diante da expectativa da Black Friday e Natal
Por Amanda Amaral
A inadimplência no Espírito Santo continua alta, mas a capacidade de pagamento das famílias melhorou em outubro. O cenário indica um comportamento mais cauteloso nas compras de fim de ano, sobretudo entre as de menor renda. São 128,6 mil pessoas inadimplentes a mais do que no mesmo período de 2024. Deste total, 87 mil são famílias com renda de até 10 salários mínimos e 41,6 mil com renda acima de 10 salários mínimos
As informações constam no levantamento do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Vale destacar que há grande expectativa para o setor de comércio e serviços neste final de ano, visto as campanhas da Black Friday e o Natal. A previsão de vendas para novembro é de R$ 9,1 bilhões e para dezembro de R$ 9,4 bilhões. Outra questão é a manutenção da taxa de juros, a Taxa Selic, em 15% – o que inibe o consumo das famílias. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece 04 e 05 de dezembro.
O nível de endividamento total no estado ficou praticamente estável em relação ao mês anterior, mas 1,4 milhões de capixabas possuem dívidas. Em outubro, a inadimplência das famílias capixabas atingiu 35,6%, registrando alta de 1,7 ponto percentual em relação a setembro de 2025 (33,9%). Esse valor supera a taxa observada no Brasil (30,5%). Na comparação interanual, a taxa ficou 3 pontos acima do nível observado em outubro de 2024. É o maior patamar desde julho de 2024, quando a inadimplência chegou a 35,7%.
Um destaque na pesquisa de outubro é a melhora na condição de pagamento de famílias que ganham acima de 10 salários mínimos. O percentual das que afirmaram não ter condições de quitar suas dívidas no próximo mês passou de 50% em setembro para 44%.
Quanto ao tempo de atraso das dívidas, as dívidas das famílias com renda de até 10 salários mínimos estão, na sua maioria (58%), em atraso a mais de 90 dias. Já entre aquelas que recebem acima de 10 salários mínimos, as dívidas em atraso a mais de 90 dias representam 44%.
“Esse resultado reforça o amadurecimento do consumidor capixaba, que tem buscado reorganizar seu orçamento e renegociar compromissos, reduzindo a inadimplência de longo prazo”, explicou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.
No geral, o uso de cartão de crédito manteve-se acima dos 90% em outubro. Entre as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o financiamento imobiliário de longo prazo é o que mais compromete a renda (14,6%), já entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, é o uso de crédito pessoal (14,9%).

Para o 3º vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, o uso equilibrado do crédito é um sinal positivo para a economia e precisa ser estimulado de forma responsável. “O crédito é uma ferramenta de desenvolvimento, desde que utilizado com planejamento. Quando o consumidor busca crédito, demonstra confiança no futuro e disposição para consumir. Um nível de endividamento em torno de 30% da renda familiar é considerado saudável, desde que haja controle do prazo e da capacidade de pagamento. O equilíbrio entre crédito responsável e estímulo ao consumo recorrente é essencial para o dinamismo do varejo”, destacou.
Movimentação econômica nas datas comemorativas do 4º trimestre de 2025:
- Mês de novembro e Black Friday – $ 9,1 bilhões.
- Mês de dezembro – R$ 9,4 bilhões.
- Somente o Natal – R$ 1,57 bilhão.
Fonte: Connect Fecomércio-ES.

