O legado de Gil Vellozo, um jornalista e político que inspira a cidade e dá nome a uma das principais vias de Vila Velha
Algumas pessoas e lugares se tornam referências tão marcantes que seus nomes por si só contam histórias. É o caso do Convento da Penha e de Anchieta, referências históricas gravadas na memória capixaba. Outros nomes, porém, exigem contexto para que sua importância seja devidamente compreendida.
Em Vila Velha, a Avenida Gil Veloso é mais do que um endereço: é um convite a conhecer a trajetória de um dos filhos mais ilustres do Espírito Santo, um homem cuja inteligência e dedicação contribuíram para o progresso do Estado. A via é tão grande quanto os feitos do nosso personagem.
Localizada na orla da Praia da Costa, ela apresenta um dos passeios mais paradisíacos do Estado, além de toda infraestrutura de prédios altos, restaurantes e estabelecimentos comerciais que o bairro em que se situa oferece. Situados geograficamente, vamos à história do homem que dá nome a um dos endereços mais nobres do Estado.

Nascido em 1914, Antônio Gil Vellozo fez história nos jornais e na política capixaba. Filho do jornalista e Promotor de Justiça e Juiz de Direito, fundador do jornal “A Gazeta” Luiz Adolpho Thiers Vellozo, o político e jornalista iniciou sua carreira nas redações como “foca” — termo usado para os iniciantes da profissão.
Com o tempo, passou a assinar crônicas no jornal “O Bisturi”, de Vila Velha, e fundou o jornal “O Continente”, que marcou época por dar voz às aspirações populares. “Era ali um multimídia: redigia os textos, escrevia os editoriais, revisava as matérias, vendia anúncios, promovia assinaturas”, destaca o pesquisador e colunista da ES Brasil, José Eugênio Vieira.

No jornalismo, Gil Vellozo foi além, se tornando redator-chefe do Diário Oficial do Espírito Santo. “Como jornalista e intelectual, Gil Vellozo foi um dos fundadores da Associação Espirito Santense de Imprensa e atuante membro da Academia ‘Humberto de Campos’ e da Associação Espirito Santense de Letras”, pontua José Eugênio.
Sua inquietação e vontade de promover mudanças o levaram para a política. Eleito vereador em 1954, foi presidente da Câmara Municipal de Vila Velha. Em 1955, tornou-se prefeito da cidade, cargo que ocupou por apenas um mandato por acreditar na importância da alternância no poder.
“Jamais exerceu mais de um mandato, por considerar necessária e saudável a alternância de poderes e da visão crítica dos nossos problemas”, lembra Vieira.

Ele também foi suplente de deputado estadual em 1959 e deputado federal eleito em 1963, com atuação marcante na bancada capixaba. Seu potencial foi interrompido precocemente por um grave acidente em uma viagem entre Brasília e Vitória.
“Seu voo, que poderia ter sido mais alto, foi interrompido por uma tragédia. Numa das viagens de carro de Brasília para Vitória sofreu um acidente que o fez ter amputado parte do baço e, depois de 8 dias de internação hospitalar, falecer em 1966”, conta o colunista.
José Eugênio Vieira encerra seu relato com uma homenagem pessoal: “Não tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, mas com ele troquei correspondências quando presidi a Casa do Estudante de Castelo. Gil Vellozo era o nosso ‘padrinho’ em Brasília e, mais do que isso, destinava parte de sua verba como parlamentar para que a nossa entidade pudesse configurar seu legítimo papel de representação estudantil.”
A Avenida Gil Vellozo é, assim, mais que um endereço em Itapuã e Praia da Costa: é um registro vivo da história e do legado de um capixaba autêntico, que dedicou sua vida ao desenvolvimento do Espírito Santo.
A Coluna
Publicada com regularidade na revista ES Brasil, a coluna O Endereço da História se dedica a resgatar a memória de personalidades capixabas que dão nome a ruas, avenidas, praças e bairros do Espírito Santo. A proposta é lançar luz sobre quem foram essas figuras, muitas vezes desconhecidas pela população, mas que tiveram papel relevante na construção da história política, cultural e social do estado.
Ao revelar as histórias por trás dos nomes presentes no cotidiano urbano, a coluna contribui para fortalecer a identidade capixaba e valorizar o patrimônio imaterial das cidades. Mais do que um exercício de curiosidade, O Endereço da História convida o leitor a refletir sobre a importância da memória coletiva e da preservação dos marcos simbólicos que ajudam a contar quem somos, de onde viemos e como chegamos até aqui.
*Esta é uma republicação da coluna original escrita por José Eugênio Vieira na revista ES Brasil em 2015 e atualizada pela equipe de redação da Next Editorial



