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Endereço da História: quem foi Hugo Musso?

Você sabe quem foi Hugo Musso, nome de uma das avenidas mais movimentadas de Vila Velha?

Publicada com regularidade nas páginas da Revista ES Brasil, a coluna O Endereço da História ganha espaço também na internet. O espaço resgata a trajetória de personalidades capixabas que deram nome a ruas, avenidas, praças e bairros do Espírito Santo. Nesta edição, trazemos uma rua bastante conhecida pelos capixabas que moram na cidade mais antiga do Espírito Santo.

Você conhece a Avenida Hugo Musso, na Praia da Costa, em Vila Velha? A famosa via — uma das mais movimentadas da cidade — liga o bairro à Terceira Ponte, atravessa o bairro e leva à Praia de Itapuã. Mas, além do trânsito intenso e da força no comércio, a avenida carrega uma história rica e pouco conhecida: a de Hugo Musso, imigrante italiano que ajudou a construir, com trabalho e sensibilidade, o Espírito Santo do século 20.

Hugo, nascido Ugo Eugênio Musso, foi um personagem singular. “Nosso personagem foi um desses homens destemidos que romperam barreiras para a maioria intransponíveis e teve seu nome gravado no panteão dos pioneiros que formataram o futuro do nosso Estado”, afirma José Eugênio Vieira.

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A história da família começa na região do Piemonte, no norte da Itália. Em setembro de 1877, os Musso desembarcaram no Brasil e se estabeleceram no interior capixaba. Hugo nasceu em Ferrara, no dia 5 de outubro de 1922, e, em 1930, veio com a família para Vitória, onde iniciou uma trajetória marcada por múltiplas habilidades e paixões.

Hugo Musso nasceu em 1922 e recebeu a homenagem, de dar nome a uma das principais vias de Vila Velha, aos 55 anos. Foto: Victor Leonel/Next Editorial
Hugo Musso (destaque) nasceu em 1922 e recebeu a homenagem, de dar nome a uma das principais vias de Vila Velha, aos 55 anos. Foto: Victor Leonel/Next Editorial

“A fascinante história de Ugo (Hugo) Musso mostra aos brasileiros como determinação e sonho não são irreconciliáveis. Muito jovem, por motivos econômicos, ele deixou de estudar para entrar no mercado de trabalho”, destaca José Eugênio.

Desde jovem, exerceu diferentes ofícios: foi marceneiro, balconista, mecânico, barbeiro, comerciante e, acima de tudo, fotógrafo. “Trabalhou algum tempo numa farmácia, voltou a estudar na Academia de Comércio de Vitória, praticou marcenaria, foi barbeiro, balconista e comerciante. Inquieto, sempre buscando novo espaço para sua formação como cidadão atuante, tornou-se fotógrafo de uma loja especializada – o Empório Capixaba, gerenciado pelo italiano Nestor Cinelli, onde aprendeu a fazer revelações, ampliações e reprodução fotográficas de filmes produzidos por amadores. Foi ali que conviveu com Jamil Merjane, mestre da arte que marcou época na história da fotografia entre nós”, conta.

Seu lado romântico também se destacou. Antes de se casar com Úrsula Meyer, encantava a amada com serenatas — e foi justamente essa paixão que inspirou o nome de um dos bombons mais famosos do país. “Sensível, romântico, poeta, entoava canções de amor em serenatas para a namorada e futura esposa Úrsula, à época trabalhando na seção de contabilidade da Chocolates Garoto. O que a maioria de nós ignora é que uma das guloseimas mais apreciadas pelos amantes de chocolate deve seu nome ao lirismo do apaixonado menestrel”, inicia o colunista. 

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‘Serenata de Amor’ foi o desdobramento de uma história que levaria dois jovens a se completarem numa união que daria tantos e tão bons frutos”, completa José Eugênio. O casal teve seis filhos, entre médicos, engenheiros e um professor.

Bombom Serenata de Amor, da Garoto. Foto: Divulgação
Bombom Serenata de Amor, da Garoto. Nome teve inspiração nas serenatas de Hugo Musso. Foto: Divulgação

Na fotografia, Hugo brilhou. Foi um dos fundadores do Foto Clube Capixaba e abriu seu próprio estúdio, a Foto Musso, na antiga Avenida Capixaba, atual Jerônimo Monteiro. Por décadas, registrou casamentos, eventos e grandes obras do Espírito Santo, como a construção da Segunda Ponte, as BRs 262 e 101 Norte e reformas durante o mandato do prefeito Max Mauro, em Vila Velha.

“Foi ali que conviveu com Jamil Merjane, mestre da arte que marcou época na história da fotografia entre nós”, lembra José Eugênio. Em paralelo à vida profissional, Hugo também se envolvia com a cidade: contribuía com obras públicas, fazia reparos em ruas e cobrava das autoridades melhorias para Vila Velha.

“Cidadão honorário de Vila Velha, considerava-se filho adotivo do Espírito Santo, e como tal se mostrava preocupado com o desenvolvimento do Estado e cobrava maior empenho das autoridades para melhorar as condições de mobilidade nas ruas da cidade. Mais de uma vez, emprestou sua participação pessoal para reparos e manutenção de vias públicas e obras de drenagem”, detalha o colunista.

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O reconhecimento oficial veio pouco antes de sua morte precoce, aos 55 anos, em 1978. “A Avenida Hugo Musso tornou imortal, na memória dos capixabas, o nosso grande benfeitor”, diz José Eugênio. Mais do que nome de rua, Hugo Musso representa uma história de coragem, criatividade e amor pelo Espírito Santo.

Então, da próxima vez que passar pela avenida que leva seu nome, lembre-se: por trás do asfalto e das lojas, existe a memória de um imigrante que deixou uma marca profunda na cidade e na cultura capixaba.

A Coluna

Publicada com regularidade na revista ES Brasil, a coluna O Endereço da História se dedica a resgatar a memória de personalidades capixabas que dão nome a ruas, avenidas, praças e bairros do Espírito Santo. A proposta é lançar luz sobre quem foram essas figuras, muitas vezes desconhecidas pela população, mas que tiveram papel relevante na construção da história política, cultural e social do estado. 

Ao revelar as histórias por trás dos nomes presentes no cotidiano urbano, a coluna contribui para fortalecer a identidade capixaba e valorizar o patrimônio imaterial das cidades. Mais do que um exercício de curiosidade, O Endereço da História convida o leitor a refletir sobre a importância da memória coletiva e da preservação dos marcos simbólicos que ajudam a contar quem somos, de onde viemos e como chegamos até aqui.

*Esta é uma republicação da coluna original escrita por José Eugênio Vieira na revista ES Brasil em 2015 e atualizada pela equipe de redação da Next Editorial

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