O futuro do agro capixaba depende da capacidade de unir planejamento, tecnologia, inovabilidade e crédito em ações concretas
Por Enio Bergoli
A política pública deve ser compreendida como ativo produtivo. A partir dela, conectamos instituições e criamos condições para que a inovação chegue à propriedade rural. O Espírito Santo, que é um estado pequeno em extensão territorial, precisa ser grande em inteligência, produtividade, diversificação e valor agregado.
Para isso, temos um planejamento de longo prazo. O Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba, o PEDEAG 4, é o principal norteador dessa agenda. Ele estabelece uma governança para o agro capixaba, com olhar de inovabilidade (inovação com sustentabilidade) sobre as cadeias produtivas. A tecnologia aparece de forma transversal nessa agenda. Tecnologia é tudo aquilo que amplia a capacidade do produtor de tomar melhores decisões, gerar renda, preservar recursos e permanecer competitivo. E temos muitos exemplos de inovabilidade na veia.
A Plataforma Selo Verde-ES, por exemplo, reforça a rastreabilidade e a transparência socioambiental das propriedades rurais capixabas, atributos cada vez mais exigidos pelos mercados, especialmente pela União Europeia. A ferramenta, gratuita e desenvolvida com apoio europeu, permite ao produtor comprovar conformidade ambiental, facilitar o acesso a crédito e ampliar oportunidades comerciais. No caso da cafeicultura, os dados indicam que 98% das propriedades cafeeiras capixabas não registraram desmatamento desde 2020, evidenciando que sustentabilidade também é estratégia de competitividade para o agro capixaba.
Ainda no café, o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cafeicultura trabalha com horizonte até 2030 e organiza ações em governança, sustentabilidade, tecnologia e agregação de valor, incluindo geolocalização do parque cafeeiro, mecanização, assistência técnica digital, pesquisa e inovação. A meta é chegar ao final do planejamento com 35 mil propriedades com currículo mínimo de sustentabilidade, sendo 15 mil de arábica e 20 mil de conilon.
Na pecuária leiteira, o Currículo Mínimo de Sustentabilidade reúne indicadores econômicos, sociais e ambientais para orientar o diagnóstico das propriedades e apoiar decisões mais eficientes. Isso mostra que sustentabilidade precisa estar traduzida em método, indicador, assistência técnica e resultado para o produtor.
O crédito rural transforma todo esse planejamento em investimento. No Espírito Santo, o Plano de Crédito Rural 2025/2026 busca ampliar o acesso a recursos para custeio, modernização, tecnologia, irrigação, mecanização, infraestrutura e sustentabilidade, com meta de R$ 9,8 bilhões no ano-safra. Na agricultura familiar, já foram contratados R$ 2,58 bilhões entre julho de 2025 e abril de 2026, alta de 14,4%, mostrando que o crédito vem chegando ao campo como instrumento de desenvolvimento.
O futuro do agro capixaba depende da capacidade de unir planejamento, tecnologia, inovabilidade e crédito em ações concretas. Esse é o caminho para produzir com mais eficiência, ampliar mercados, gerar renda e fortalecer o produtor rural. No Espírito Santo, inovação e sustentabilidade são parte da mesma estratégia de desenvolvimento rural, que já começou e nos levará a excelentes resultados.
Enio Bergoli é Secretário de Estado da Agricultura, engenheiro agrônomo, pós-graduado em Administração Rural
Esse artigo é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

