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quinta-feira, 30 junho, 2022

Ética nas organizações

O novo capitalismo está sendo influenciado por culturas como a da economia solidária e do consumo consciente

Não é mais suficiente entregar um produto ou serviço com alta qualidade ou com preço baixo. Cada vez mais o consumidor e a sociedade exigem saber de onde veio a matéria-prima, como o processo produtivo impacta o meio ambiente, se os colaboradores são tratados com dignidade e se a empresa respeita padrões legais e morais. Vivemos o século da ética nas organizações.

Tratar de ética deve ir muito além da criação de regras de compliance ou programas de integridade. Para entender a diferença entre ética e compliance, pergunte a alguém por que parar no sinal vermelho. Se ele responder “para não ser multado”, eis uma conduta pautada pelo compliance.

Se a resposta for “por medida de segurança”, teremos um perfeito exemplo de consciência ética. Regras escritas e um sistema de punições eficaz contribuem para condutas íntegras, porém, sozinhos, são incapazes de assegurar comportamentos produtivos permanentemente.

A geração de valor pelas empresas está relacionada primariamente ao papel desempenhado pelo negócio na sociedade. Nesse sentido, a cultura organizacional é fundamental no sucesso de longo prazo. Em tempos de estresse, uma cultura forte e saudável prevalece e ajuda a mitigar os impactos da tormenta. Por outro lado, empresas com uma cultura que não priorize o comportamento ético costumam ter suas fragilidades exacerbadas em tempos de crise.

Na busca pela conformidade e pelo reconhecimento do mercado, muitas empresas têm empreendido esforços para assegurar a existência e funcionamento de sistemas formais de compliance. Mas isso não basta; a diferença vem da cultura organizacional, do “querer” ser ético porque essa é a conduta correta, que adotada continuamente gera valor par
a empresa.

O tom da ética, assim como a cultura, deve vir do topo, da alta administração e do exemplo dos líderes. Lideranças eticamente silenciosas não podem ser toleradas.
As empresas precisam cada vez mais de bons líderes, que não sejam meramente corretos, mas verdadeiros campeões de ética, capazes de criar um ambiente de compartilhamento de bons valores em toda a organização.


Empresas Humanizadas: Pessoas, Propósito, Performance 
Raj Sisodia, David B. Wolfe e Jag Sheth

Esta obra é a tradução do livro “Firms of Endearment 2.0”, que deu origem ao movimento capitalismo consciente. Segundo os autores, vivemos um novo tempo, no qual o anseio por significado além dos números ganha força, provocando uma mudança de uma cultura materialista para uma de valores subjetivos.

O livro apresenta princípios e práticas de gestão que levam em consideração todos os stakeholders de uma forma saudável, construtiva e verdadeira e descreve os elementos primários que toda empresa humanizada compartilha: (i) um propósito mais amplo do que a geração de riqueza; (ii) dedicação à liderança servidora; (iii) compromisso exemplar com a cidadania; (iv) reconhecimento de que é parte de um ecossistema econômico com muitos participantes interdependentes.

Os autores identificam sete características que distinguem as empresas humanizadas. São elas:

  • Desafiam o dogma da indústria;
  • Criam valor ao alinhar os interesses dos stakeholders;
  • Estão dispostas a quebrar as tradicionais “barganhas” (trade-offs);
  • Operam com uma perspectiva de longo prazo;
  • Favorecem o crescimento orgânico em vez de fusões e aquisições;
  • Mesclam trabalho e lazer;
  • Rejeitam os modelos tradicionais de marketing.

O livro termina com uma mensagem importante:
“As pessoas não se mobilizam em torno de bandeiras falsas”.

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