
O avanço do crime organizado em todo o país reforçou a sensação de insegurança da população. A segurança pública será tema central em 2026
Por André Pereira César
O ano que se encerra foi marcado por importantes eventos no campo da política, eventos esses que certamente terão impacto sobre as eleições de 2026. Integram esse cardápio, entre outros, o tarifaço do republicano Donald Trump, a COP30 de Belém, o julgamento e a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), os problemas na área de segurança pública e o escândalo do Banco Master. Muitas questões a se explorar, como se vê.
Primeiramente, falemos do tarifaço, medida inusitada e unilateral adotada por Trump contra diversos países, Brasil incluso. No nosso caso, foram sobretaxados em 50% produtos como café, carne, frutas, sucos e cacau, entre outros. O recuo posterior foi um claro indicativo de que o impacto sobre os preços foi significativo, gerando pressão inflacionária e afetando o humor do consumidor/eleitor norte-americano. Trump “piscou”, como se diz.
Nos planos político e econômico, as ações do governo Lula (PT), da diplomacia brasileira e de importantes setores do empresariado foram rápidas e eficazes, não fechando em momento algum as portas para negociações. Claro que há ainda muito a se caminhar (diversos produtos seguem com a alíquota adicional, como máquinas, móveis e calçados), mas o caminho para a solução definitiva do imbróglio foi mostrado.
A COP30, por outro lado, representa a questão do copo “meio cheio, meio vazio”. O esperado esvaziamento do encontro não se materializou – mais de 190 delegações compareceram. No entanto, o resultado final novamente frustrou as expectativas, com a questão da superação dos combustíveis fósseis de fora das metas dos países.
Nesse caso, fica mais uma vez evidenciado o limite para reuniões desse tipo. Os interesses de países e grupos econômicos em geral são divergentes e, por mais que se busque algum consenso mínimo, o que se tem são resultados pífios – as COPs demonstram isso.
Frustração geral e uma sensação de impotência por parte dos organizadores do evento – no caso, o governo brasileiro, que apostava muitas fichas no encontro.
O julgamento de Bolsonaro e de seu entorno por tentativa de golpe, e a posterior prisão do ex-mandatário, deixaram sequelas na democracia brasileira. A direita e a centro-direita buscam agora alternativas para o pleito do próximo ano, mas o governo Lula tem pouco a comemorar com esse quadro – tudo segue indefinido, como mostram as pesquisas mais recentes.
O avanço do crime organizado em todo o país reforçou a sensação de insegurança da população. A ação das polícias no Rio de Janeiro, que terminou com mais de 100 mortos, simboliza essa realidade. A segurança pública será tema central em 2026.
A quebra do Banco Master aponta a fragilidade do sistema financeiro e, mais ainda, mostra as fortes conexões da avenida Faria Lima, em São Paulo – centro de finanças do país – com o mundo político, da esquerda à direita. Uma situação que deverá ser explorada na campanha de 2026.
Como se vê, os temas das eleições do próximo ano estão à mesa, e são bastante complexos. Sem soluções fáceis a curto e médio prazos, o que se espera são propostas minimamente viáveis. O país não aceita mais malabarismos ou medidas meramente cosméticas.
André Pereira César é cientista político
Esse artigo é uma republicação da Edição 231 da Revista ES Brasil – Retrospectiva 2025 – Leia aqui

