O ano de 2025 foi intenso para o Espírito Santo no que diz respeito a investimentos em infraestrutura, chegando próximo de R$ 4,5 bilhões destinados, principalmente, à malha rodoviária
Por Kikina Sessa
Em um ano marcado por grandes investimentos, avanços estruturais e pelo fortalecimento de agendas estratégicas para o futuro do Espírito Santo, o governador Renato Casagrande encerra 2025 com um governo organizado, contas equilibradas e registrando mais um investimento recorde na área de infraestrutura, que chega próximo a R$ 4,5 bilhões.
“Nós teremos investido nesses oito anos, até o final de 2026 (2019-2026, dois mandatos), R$ 25 bilhões. São R$ 12,5 bilhões a cada quatro anos, quando comparado com R$ 2,5 bilhões do governo anterior. Então, de fato, temos de continuar com esse estado, com essa decisão política nesse rumo, nesse ritmo”, comenta o governador.
Ele ressalta que o Espírito Santo fecha 2025 contabilizando feitos como ser o mais transparente do Brasil. “Continuamos sendo o estado com a melhor gestão fiscal do Brasil. Temos resultados importantes em todas as áreas. Na educação, destaque para o ensino médio. Temos redução da pobreza e um governo equilibrado, com capacidade de continuar fazendo investimentos.”
Indagado sobre o que gostaria que tivesse acontecido em 2025 e que não se concretizou, Casagrande citou a publicação do edital da BR-262. “É uma obra que vai começar com recursos do Governo do Estado e que eu já gostaria de ter publicado o edital. Mas é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que está fazendo. Não é culpa de ninguém, nem falha de ninguém, é o processo mesmo, pelo fato de ser uma obra muito complexa”, disse o governador.
Quanto aos planos para 2026, ano eleitoral, Casagrande revelou otimismo. “Eu sei que vai ser um ano mais tumultuado, porque vai ter eleição. Eu vou decidir em março se vou ser candidato a algum cargo. Mas eu tenho certeza de que o Estado não perderá o seu rumo. A gente conquistou muitas vitórias para poder errar a mão.”
Por enquanto, a única garantia para 2026 é que as “barrinhas de cereal”– como Casagrande costuma brincar sobre torresmo nas redes sociais – estão garantidas na dieta do governador. “Faço minha atividade física e como minhas barrinhas, porque se não comer uma barrinha de cereal, não tem tanta energia.”
Governador, como o senhor avalia o ano de 2025 para o Espírito Santo?
Quando chega o final do ano, a gente começa a fazer análises de como foi o período, seja no governo, na família, na empresa, na comunidade. Eu, naturalmente, tenho muito o que agradecer a Deus. Primeiro, pela saúde, pela disposição para poder realizar o trabalho. E agradecer a Deus também pela minha equipe e à população capixaba pelo resultado do governo.

Chegamos ao final do ano com um governo equilibrado e organizado. Registrando mais um investimento recorde na área de infraestrutura, chegando perto de R$ 4,5 bilhões em investimentos. Se somarmos de 2019 até 2025, chegaremos a mais de R$ 20 bilhões aplicados nessa área. São números impressionantes, que têm feito a mudança para a população capixaba.
Também chegamos ao final de 2025 como o estado mais transparente do Brasil. Continuamos sendo o estado com a melhor gestão fiscal do país. Temos resultados importantes em todos os setores. Na educação, destaque para o ensino médio. Temos redução da pobreza e um governo equilibrado, com capacidade de continuar realizando investimentos. O Espírito Santo hoje ganhou respeito no Brasil todo, e nós, capixabas, estamos muito orgulhosos do que estamos fazendo.
O senhor destacou a infraestrutura. O Espírito Santo teve um governo, o de Gerson Camata (de 1986 a 1983), que ficou conhecido por pavimentar estradas. A administração Casagrande também vai ter essa marca?
Eu acho que nós temos algumas marcas. O Camata, de fato, na época em que governou, fez muitas ligações entre os municípios capixabas. Mas o estado não era uma potência como é hoje. A gente consegue fazer muitas obras hoje em todas as áreas, seja na malha rodoviária, onde, de fato, realizamos os maiores investimentos da história do Espírito Santo, e em outras também, como saúde e educação.
Assim como Camata, que foi um grande governador, e não teve medo de investir, nós também não temos medo de fazer investimentos. Quando olhamos para infraestrutura, lembramos das estradas, mas também da mobilidade urbana. Fizemos muitas obras aqui na Região Metropolitana. Agora mesmo começamos um grande corredor metropolitano que vai ligar Vila Velha e Cariacica com um corredor exclusivo para ônibus [o Expresso GV]. Fizemos o Portal do Príncipe, em Vitória; a Leitão da Silva, também na capital; e o Complexo Viário de Carapina, na Serra.
Temos ainda o contorno de Jacaraípe, uma obra lindíssima e importante para a Serra. Em breve, vamos começar a obra do contorno de Nova Almeida, também na Serra, até Aracruz. Com isso, vamos conectar os polos empresariais das duas cidades.
Demos solução à duplicação da BR-101, que está em obras, tanto no sul como no norte. Estamos dando solução para a BR-262, com a publicação do edital no início do ano. Estamos dando solução para o Cais das Artes também.
É uma verdadeira revolução em termos de investimento. Quando a gente fala em investimento, as pessoas logo pensam na rodovia. A rodovia é ótima, mas estamos fazendo muitas outras obras. São hospitais, unidades de saúde, escolas que estamos melhorando. Tudo isso só é possível com o estado organizado e com decisão política de executar esses investimentos.
Ainda nessa parte de infraestrutura, governador, o que não andou da forma como o senhor esperava que andasse em 2025?
Eu gostaria de já ter publicado o edital da BR-262, por exemplo. Inclusive, estava previsto. É uma obra que vai começar com recursos do Governo do Estado mas é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que está fazendo. Não é culpa de ninguém, nem falha de ninguém, é o processo mesmo, pelo fato de ser uma obra muito complexa

Eu gostaria muito de ter resolvido a questão das ferrovias. Estamos em vias de solucionar, mas ainda não solucionamos. Também é um assunto que a gente acompanha e articula com o Governo Federal. Mas nós não temos muito o que reclamar.
A pauta de transição energética também esteve em alta neste ano de 2025, com a realização da COP30 no Brasil, e o Espírito Santo deu passos importantes nessa direção.
Muito importante. Primeiro, nós temos um fundo soberano. Nenhum outro estado tem um fundo soberano. Nós estruturamos um fundo de descarbonização, que é para incentivar a transição energética.
O estado aportou R$ 500 milhões e a empresa vencedora para fazer a gestão do fundo aportou R$ 400 milhões. Então, começamos com R$ 900 milhões, e podemos receber outros cotistas, para financiar a transição energética nas empresas.
É bom destacar que a criação do fundo soberano é uma ação que nós fizemos para poder garantir o futuro dos capixabas. Porque a gente poderia usar esse dinheiro, destinado ao fundo soberano, para fazer obras ou contratar serviços.
Mas eu tomei a decisão de reservar uma parte como poupança intergeracional, que é uma poupança para o futuro, e a outra parte para investir nesse tipo de atividade, seja inovação, transição energética ou política ESG [Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês]. Nós também fizemos um programa de incentivo à geração de energia renovável. Através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, temos a redução de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços [ICMS] para quem gera energia renovável até 5 MW.
Nós trocamos todo o combustível do Governo do Estado de gasolina para etanol. E contratamos de fonte renovável toda a energia que abastece o governo.
São passos importantes, que incentivam outros estados, municípios e empresas privadas a também fazerem.
Na área da segurança pública, o senhor considera como destaque neste ano a redução de homicídios?
Desde quando nós montamos o programa Estado Presente, em 2011, no meu primeiro governo, o estado vem ano a ano – com exceção do período em que houve a manifestação [greve] da Polícia Militar -, numa curva de queda no número de homicídios e de outros delitos contra o patrimônio também.
Eu sempre relembro esses dados porque são importantes e temos que registrar. Não comemorar, mas registrar. Nós saímos de dois mil homicídios em 2009 para fechar 2025 com cerca de 800 homicídios. Isso mostra como conseguimos avançar nesse período, mesmo tendo uma crise da segurança pública em 2017. Conseguimos vitórias importantíssimas. Veja quantas pessoas conseguimos salvar.
O programa Estado Presente é um investimento que a gente faz em tecnologia, em infraestrutura, na valorização dos profissionais da segurança pública, no armamento, nas viaturas. Tudo isso criou um ambiente de diálogo, de harmonia entre as forças de segurança. O trabalho que a gente faz junto com Judiciário, Ministério Público, Defensoria e municípios tem dado um resultado extraordinário e o estado, que era um dos mais violentos do país, caminha para figurar entre os mais seguros do Brasil.
Governador, nós falamos de uma marca do seu governo em infraestrutura, mas o equilíbrio fiscal também é uma marca positiva.
Marca boa, porque resulta de uma boa gestão fiscal para poder fazer tudo que estamos fazendo. Vamos ter, em 2026, um total de 232 escolas com educação em tempo integral. Ou seja, 60% das nossas escolas. São mais de 40% dos alunos estudando em escolas com educação em tempo integral.
Valorizamos fazer uma boa gestão fiscal porque nos permite ter recursos para ofertar oportunidades para os capixabas. Por exemplo, nós colocamos o Samu 192 em todos os municípios do Espírito Santo. Não tem nem um outro estado do país que tenha Samu 192 em todos os municípios. Veja como é bom poder se organizar para chegar à nossa finalidade, que é ofertar qualidade de vida aos cidadãos.
Nós estamos aportando para a Caixa Econômica Federal, por meio de uma parceria entre o nosso programa de habitação e o Minha Casa, Minha Vida, um total de R$ 200 milhões em quatro anos para financiar a casa própria. Estamos ajudando uma pessoa que tem renda de até três salários mínimos a financiar sua moradia. O governo dá R$ 20 mil para que a pessoa possa dar a entrada. Com isso, estamos financiando 10 mil moradias no Espírito Santo. É um resultado que me deixa muito orgulhoso daquilo que estamos fazendo com essa organização das finanças do estado.
Saindo um pouco da Região Metropolitana, como o governo trabalha a descentralização dos investimentos?
Nós trabalhamos no incentivo. Quem vai para o interior tem redução maior no pagamento de tributos do que quem fica na Região Metropolitana. O Parklog, por exemplo, em Aracruz, envolve 10 municípios e é uma área que conta com os benefícios da Sudene. Nós estamos investindo muito em rodovia naquela região. Estamos conseguindo levar investimentos, por exemplo, para São Mateus, com a Marcopolo. Temos investimentos fortes em Linhares, Sooretama e Jaguaré.
São investimentos que estão se descentralizando. Recentemente, repassamos R$ 20 milhões para que a Prefeitura de Cachoeiro faça um distrito industrial em Pacotuba, que vai atender a região sul do Espírito Santo.
São recursos distribuídos para infraestrutura, repasse para os municípios, incentivo tributário, financiamento, tudo isso vai ajudando a descentralizar os investimentos e a melhorar a atividade ligada à agricultura, porque o apoio que a gente dá para os agricultores, especialmente para a agricultura familiar, tem feito uma mudança na vida de muitas famílias do interior do estado.
Sua vitalidade e entusiasmo são perceptíveis. Qual é a fórmula para manter o equilíbrio e a energia?
Acho que primeiro é gostar do que faz. Eu gosto muito de governar o estado. Eu gosto muito da vida pública e acordo sempre querendo fazer alguma coisa, animado porque vou começar a trabalhar. Então, quando se faz aquilo que se gosta, não se encara o trabalho como uma obrigação. É uma obrigação, mas é uma obrigação que você gosta de fazer.
Gostar do que a gente faz é muito importante, e ter sensibilidade com o trabalho também. O trabalho público exige muita sensibilidade. A gente tem que cuidar da saúde também. Então, faço minha atividade física e como minhas barrinhas [torresmo], porque se não comer uma barrinha de cereal, não tem tanta energia. Mas eu faço atividade física, e procuro até levar uma vida com mais equilíbrio para poder ter energia e garra para tocar a vida para a frente.
E 2026 é um ano de eleição. Quais são os planos do senhor?
Olha, a expectativa é muito boa para 2026. Eu sei que vai ser um ano mais tumultuado, porque vai ter eleição. Eu vou decidir em março se vou ser candidato a algum cargo. Mas eu tenho certeza de que o estado não perderá o seu rumo. A gente conquistou muitas vitórias para poder errar a mão.
Então, estou seguro de que a população capixaba vai continuar debatendo política com muita responsabilidade. Veja que a gente fugiu em 2022 de uma polarização política doentia. Uma parte das pessoas olhou muito mais o debate nacional e se envolveu em brigas. Conseguimos sair disso, fomos vitoriosos e apresentamos de novo um resultado extraordinário nesse segundo governo meu.
Eu tenho certeza de que 2026 vai ser uma eleição menos polarizada e que o capixaba vai olhar mais os nossos resultados para poder tomar sua decisão. E os nossos resultados são muito volumosos e muito grandes. Para o Estado do Espírito Santo estar bem, o governo tem que estar bem, com boas parcerias com os governos municipais, com o Governo Federal. É isso que eu espero de 2026.
Governador, para encerrar a entrevista, qual mensagem quer deixar para o capixaba?
Quero deixar uma mensagem de otimismo. Eu estou muito feliz com o Estado do Espírito Santo. Primeiro, todos nós temos que pedir proteção a Deus, porque a gente faz os nossos planos, mas quem sabe de tudo é Deus.
Eu me lembro que em 2019 eu tinha muitos planos, pois estava retornando ao governo. Passei um ano de 2019 muito difícil, debatendo com as entidades de segurança pública, porque estava vindo de 2017, e havia o fantasma de que podia ter alguma manifestação de novo. Fechamos 2019 com tudo acertado com as forças de segurança. Então pensei: ‘Agora eu tenho três anos para governar sem problema nenhum’. Aí veio a Covid 19. Precisei adaptar todo o governo para poder enfrentar dois anos de pandemia.
Então, a gente faz os planos, mas quem sabe é Deus. Por isso, peço a Deus que dê energia e proteção para todos nós, capixabas, e que as famílias possam continuar bem. E, para quem não está bem, que a gente possa achar um caminho para ter um ambiente de diálogo, de harmonia, de respeito às diferenças.
O governo precisa ser bom no serviço público, mas tem que ser bom também no exemplo. No exemplo de capacidade de diálogo e de convivência com quem pensa diferente da gente. Desejo um bom 2026 para todo mundo.

*Entrevista publicada originalmente na revista ES Brasil 231 – Retrospectiva 2025. Leia a edição completa aqui.

