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Capitão dos Portos explica desafios com avanço portuário

À frente da Capitania, oficial Wendel Armani destaca monitoramento, integração institucional e desafios com aumento do tráfego

Por Letícia Arcanjo

A expansão portuária e o aumento da movimentação de cargas no Espírito Santo ampliam os desafios da segurança da navegação e da fiscalização do tráfego marítimo. Em entrevista à Revista ES Brasil, o Capitão de Mar e Guerra Wendel Armani, que assumiu a Capitania dos Portos do Espírito Santo em outubro de 2025, fala sobre a atuação da Marinha nesse cenário, a integração com órgãos reguladores e as iniciativas de tecnologia voltadas à modernização dos processos e ao fortalecimento da segurança nas operações.

Quais são hoje os principais desafios de segurança enfrentados pela Capitania dos Portos do Espírito Santo? A expansão portuária do estado aumenta os riscos à navegação?

Os principais desafios de segurança enfrentados pela Capitania dos Portos do Espírito Santo envolvem o controle e a fiscalização das embarcações de esporte e recreio — especialmente motos aquáticas — e a convivência segura entre a navegação de grande porte e atividades de esporte, recreio e pesca artesanal, sobretudo nos canais de acesso aos portos de Vitória e Tubarão. Para prevenir incidentes, a Marinha atua com ações de inspeção naval, campanhas educativas como a Operação Navegue Seguro e a exigência de estudos de viabilidade técnica e análises de risco antes de autorizar ampliações operacionais.

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Como a Capitania dos Portos garante o cumprimento das normas de navegação diante do aumento da movimentação de cargas no Estado?

O cumprimento das Normas da Autoridade Marítima é feito por meio de duas frentes principais. A primeira é a inspeção naval permanente, com vistorias nas embarcações para verificar condições de segurança, documentação e conformidade da tripulação com as normas vigentes.

A segunda é o monitoramento do tráfego aquaviário. O Porto de Vitória conta com o sistema VTMIS, operado pela Vports, que acompanha a movimentação de embarcações em tempo real. Cabe à Marinha, por meio do Centro de Auxílio à Navegação Almirante Moraes Rego, conceder a licença de operação do sistema e realizar auditorias periódicas, garantindo a segurança da navegação e a eficiência das operações portuárias.

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Como a Capitania dos Portos se articula com órgãos como ANTAQ e outras autoridades para alinhar a regulação marítima às demandas logísticas do Espírito Santo?

A articulação ocorre de forma operacional, respeitando as competências de cada órgão. Com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), responsável pela regulação econômica do setor portuário, a Capitania atua para que o aumento da movimentação de cargas não comprometa a segurança da navegação, a vida humana no mar e o meio ambiente. A instituição também integra a Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, ao lado de Polícia Federal e Receita Federal do Brasil, além de participar de fóruns com operadores do direito marítimo, portuário e aduaneiro, praticagem e representantes sindicais.

Há iniciativas para modernizar os processos de fiscalização e segurança, como novas tecnologias de monitoramento ou digitalização de serviços?

A Capitania dos Portos tem adotado iniciativas de modernização alinhadas às diretrizes da Diretoria de Portos e Costas. Entre elas está o sistema Porto Sem Papel, que integra dados da Marinha, Receita Federal e Polícia Federal em uma única plataforma digital, agilizando a liberação de embarcações. Também há integração com o Sistema de Monitoramento do Tráfego Marítimo (SISTRAM), que acompanha embarcações em tempo real por meio do AIS. A digitalização de serviços, como renovação da Caderneta de Inscrição e Registro e da habilitação de Arrais, reduziu filas e melhorou o atendimento. Nas operações, o uso de drones nas ações de fiscalização amplia o alcance das inspeções.

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Essa entrevista foi publicada originalmente na Edição 232 da Revista ES Brasil — Portos: O Poder da Logística, de março de 2026. Clique neste link para conferir a edição completa.

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