Especialista explica como o vírus pode afetar outros órgãos e alerta para sinais de complicações, principalmente em idosos
Por Thamiris Guidoni
A gripe costuma ser associada a febre, tosse e alguns dias de repouso, mas o vírus influenza pode provocar complicações que vão além do sistema respiratório. A resposta inflamatória causada pela infecção pode agravar doenças preexistentes e aumentar o risco de quadros graves, como pneumonia, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O alerta ganhou força nas últimas semanas com o aumento dos casos graves de influenza no Espírito Santo. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a maior parte das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pelo vírus neste ano ocorreu entre pessoas que não haviam se vacinado. Os óbitos também se concentraram principalmente entre idosos.
Segundo a pneumologista e médica do sono Jéssica Polese, um dos principais equívocos é acreditar que os riscos da gripe ficam restritos aos pulmões.
“A influenza provoca uma resposta inflamatória importante em todo o organismo. Em pessoas jovens e sem outras doenças, essa reação costuma ser controlada. Já em quem convive com problemas cardíacos, diabetes, doença pulmonar ou tem uma imunidade mais fragilizada, essa inflamação pode romper um equilíbrio que vinha sendo mantido. Muitas vezes, o paciente não é internado apenas pela ação do vírus, mas porque a infecção agravou uma condição que já existia”, explica.
A especialista destaca que a infecção aumenta a demanda do organismo, sobrecarrega o coração e pode favorecer o surgimento de pneumonias, tanto provocadas pelo próprio vírus quanto por bactérias que encontram mais facilidade para se instalar após a gripe.
Influenza também pode afetar coração e cérebro
Além dos pulmões, a gripe pode desencadear problemas cardiovasculares. De acordo com Jéssica, estudos apontam aumento do risco de infarto nos dias seguintes ao diagnóstico de influenza, assim como maior possibilidade de eventos cerebrovasculares, como o AVC, em pacientes predispostos.
Entre os idosos, os sinais nem sempre aparecem de forma tradicional. Em vez de febre alta, dores no corpo e tosse intensa, o quadro pode começar com sintomas mais discretos:
- Sonolência excessiva;
- Confusão mental;
- Perda de apetite;
- Fraqueza intensa;
- Piora repentina do estado geral.
“Essa apresentação menos típica pode atrasar a procura por atendimento. Muitas famílias acreditam que o idoso está apenas mais cansado ou indisposto, quando, na realidade, ele já pode estar evoluindo com uma complicação importante. Qualquer mudança significativa durante um quadro gripal merece avaliação médica, principalmente em pacientes mais vulneráveis”, alerta.
A médica reforça que idosos, gestantes e pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, diabetes ou doença renal precisam de atenção redobrada durante a infecção.
A vacinação continua sendo a principal forma de reduzir o risco de hospitalização e morte, mas o reconhecimento dos sinais de agravamento também é fundamental.
“A vacina continua sendo a medida mais eficaz para prevenir formas graves da doença, mas ela não substitui a atenção aos sintomas. Quando há falta de ar, piora do estado geral, dificuldade para realizar atividades simples ou uma recuperação que não acontece como esperado, é importante procurar assistência médica”, finaliza.

