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Entidades de rochas e café denunciam déficit logístico nos portos do Estado

Tales Machado e Fabrício Tristão assinam carta direcionada às autoridades onde apontam falta de ação por parte das autoridades portuárias em melhorar capacidade, em especial no terminal de contêineres 

Por Kikina Sessa

O Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais e o Centro do Comércio de Café de Vitória, representados pelos respectivos presidentes, Tales Machado e Fabrício Tristão, enviaram uma carta aberta às autoridades públicas, incluídos Tribunal de Contas da União, governo do Estado e autoridade portuária alertando para o impacto do “déficit logístico” no desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo. 

“A principal função dos portos é a de agregar valor aos clientes que, em geral, esperam que suas mercadorias sejam movimentadas de forma segura, desburocratizada e, principalmente, sem a formação de congestionamentos que possam gerar atrito ao fluxo de sua logística e aumento de custos que inviabilizem negócios e soluções”, diz trecho da carta. 

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As entidades afirmam que “portos serão eficientes e contribuirão para garantir o potencial de desenvolvimento do nosso país, se o desenho da sua gestão puder definir alianças público-privadas com responsabilidades bem delimitadas, desburocratizadas, ágeis e sustentáveis no exercício de suas funções”. 

“Porém, o atual cenário demonstra que, em que pese as inúmeras reuniões e tratativas no Comitê COMEX/ES, que contaram com a participação da Autoridade Portuária, de representantes dos terminais portuários, dos operadores portuários e dos usuários, a fim de buscar soluções para os gargalos logísticos que acometem o setor portuário do Estado do Espírito Santo, não se observa, na prática, a adoção de qualquer ação efetiva para a melhoria da capacidade de operações portuárias, em especial no terminal de contêineres.”

Esse problema foi tratado por ES Brasil em reportagem postada no dia 8 de maio. 

Contêineres

Essa situação, de acordo com as entidades, tem agravado cada vez mais. “Os estorvos logísticos que acometem o setor portuário capixaba, tendo por consequência imediata a formação de filas de navios, a escassez de contêineres, a dificuldade de controle dos gates, a dificuldade dos sistemas de atendimento ao consumidor dos terminais portuários, a ausência de espaço para movimentação de carga, dentre inúmeros outros impasses que resultam no aumento exorbitante de custos e na consequente diminuição, ou até mesmo inviabilização, da competitividade de setores econômicos estratégicos para o desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo, em especial do setor cafeeiro e de rochas naturais”. 

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“Contudo, em razão dos gargalos que acometem o setor portuário capixaba, o cenário que vem se observando, desde o segundo semestre de 2023, é de agravamento dos problemas logísticos, eis que, a exemplo, com base nos indicadores da ANTAQ, a taxa de utilização do terminal de contêiner corresponde a 155% da sua capacidade natural, ocasionando o aumento no tempo de estadia das embarcações de contêineres, alteração de rotas de embarcações, cancelamentos de embarques, o que indica urgência de investimentos de expansão.” 

Tais ocorridos têm deixado as cadeias produtivas que dependem do embarque de seus contêineres no porto para a exportação de seus produtos, sem atendimento por longos períodos, informam na carta, culminado no descumprimento de contratos internacionais já celebrados e, por conseguinte, na geração de desastrosas consequências econômicas para o setor produtivo capixaba. 

Para se ter uma ideia, somente no setor exportador de café, calcula-se que nos últimos 12 meses, mais de 1 milhão de sacas de café foram desviadas para embarques em portos como o do Rio de Janeiro, por falta de capacidade de serem embarcadas em Vitória e a fim evitar prejuízos maiores. Isso equivale a cerca de 16% do volume que o Espírito Santo embarcou no Porto de Vitória no mesmo período.  

“Somente em 2024, já foram três omissões, ou seja, embarcações programadas para atracar no Porto de Vitória/TVV, que desistiram por conta do excessivo tempo de fila. Isso, sem contar os atrasos, reprogramações, aumentos do tempo de estadia de navios, além de filas de caminhões, multas no transporte rodoviário, aumentos de frete, dentre várias outras consequências danosas à economia regional.” 

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As entidades encerram a carta clamando que as autoridades competentes empreendam as devidas medidas para sanar os gargalos que acometem o setor portuário capixaba, de forma a suprir a demanda dos exportadores capixabas.

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