29.4 C
Vitória
domingo, 19 maio, 2024

Por que setor de rochas tem dificuldade de exportar produção pelo Espírito Santo?

Exportação parte do Rio ou de São Paulo, aumentando o prazo em até 30 dias para o produto chegar aos Estados Unidos, elevando custos e criando gargalos logísticos

Por Kikina Sessa

Manter o título de maior exportador de rochas ornamentais do Brasil custa caro para o segmento no Espírito Santo. Isso porque a produção capixaba destinada à exportação precisa passar pelo sistema de cabotagem, partindo do Terminal de Vila Velha, em contêineres de 20 pés, para portos no Rio ou São Paulo. De lá, parte para o destino final, em sua maioria, os Estados Unidos.

- Continua após a publicidade -

Esse processo eleva os custos e ainda o tempo de atendimento ao cliente, aumentando de 20 a 30 dias o prazo para que o produto chegue ao destino final.

Além dessa dificuldade, por conta das condições do terminal portuário, que não admite navios com maior calado (profundidade), o setor encara a escassez na oferta de contêineres para acomodação das chapas de mármore e granito.

O Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas), chegou a solicitar apoio do governo do Estado para cobrar providências dos órgãos responsáveis. Para tanto, um comitê foi formado, com a participação da diretoria da Vports (autoridade portuária), do Terminal de Vila Velha (TVV), diretoria da MSC, e dos principais clientes do terminal de contêineres do Estado representados pelas entidades: Centrorochas, Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), Câmara de Comércio de Café (CCCV) e Sindicato dos Despachantes Aduaneiros (Sindaes).

Resultados

Mesmo com toda essa dificuldade, o setor conseguiu superar os resultados do primeiro trimestre de 2023, quando foram exportadas 165.635 toneladas. De janeiro a março deste ano, foram 199.172 toneladas direcionadas ao mercado externo, informou Giovanni Francischetto, Superintendente do Centrorochas.

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), o setor de rochas ornamentais gerou R$ 32 milhões em arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o Estado no primeiro trimestre deste ano, e R$ 27 milhões no mesmo período de 2023. Em ambos os casos, a arrecadação representa 0,7% do total arrecadado nos três primeiros meses do ano. Em todo o ano passado foram R$ 134 milhões, o que representa 0,8% da receita de ICMS do Estado.

A exportação por meio de portos do Espírito Santo não traz ganhos quanto à arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), visto que o imposto não incide nas operações de exportação de produtos, como previsto no artigo 155 da Constituição Federal. Mas movimenta a economia, gerando empregos e a abertura de novas empresas, por exemplo.

Dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) mostram que nos últimos 10 anos o Espírito Santo foi responsável por mais de 90% das exportações de rochas ornamentais trabalhadas do País, chegando a 94,6% em 2023.

Porto

Mesmo figurando uma das principais atividades econômicas do Espírito Santo, o setor de rochas ornamentais tem o crescimento diretamente comprometido pela precariedade dos portos instalados no estado. A expectativa, de acordo com o superintendente do Centrorochas, é o Porto da Imetame, em Aracruz, previsto para entrar em operação a partir de 2025.

Como o terminal tem capacidade para receber navios de maior calado, as rochas poderão ser exportadas diretamente, não precisando mais de cabotagem.

Entre para nosso grupo do WhatsApp

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Matérias relacionadas

Continua após a publicidade

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 221

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

Vida Capixaba

- Continua após a publicidade -

Política e ECONOMIA