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Do campo ao mercado: a força dos pequenos produtores no ES

Com novas safras e cultivos estratégicos, o ES amplia a diversidade do agro e valoriza o protagonismo das pequenos produtores e agricultura familiar

Por Cínthia Ferreira

Novos produtos da cadeia produtiva agrícola no Espírito Santo têm se destacado no cenário nacional. Especiarias como a pimenta-do-reino e a pimenta-rosa, além de produtos como o gengibre, o inhame e o abacate cultivados no estado, têm alcançado expressivos volumes de produção e exportação.

As especiarias capixabas, por exemplo, passaram a ocupar um espaço de relevância na cadeia produtiva do Espírito Santo. Em especial, a pimenta-do-reino, que junto com o gengibre levam o estado ao patamar de maior produtor e exportador nacional, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).

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Aqui são produzidos 75% de todo o gengibre cultivado em solo brasileiro, e daqui saem 55% das exportações nacionais do produto. Em relação à pimenta-do-reino, 65% do comércio exterior do condimento partem do território capixaba, que produz 60% da safra brasileira.

Entre janeiro e março de 2025, as exportações do gengibre capixaba alcançaram US$ 2,8 milhões, com crescimento de 19,9% no volume embarcado. O produto capixaba chegou a 32 países, tendo como principais destinos os Estados Unidos, Israel e Argentina.

“Nossa expectativa é de um crescimento significativo na produção de gengibre neste ano. Os bons preços obtidos nas últimas safras e a valorização do gengibre capixaba no mercado internacional incentivaram novos investimentos na cultura. Aliado a isso, o trabalho contínuo de assistência técnica e extensão rural tem promovido práticas mais eficientes, sustentáveis e alinhadas às exigências de qualidade do mercado exterior”, salientou o diretor-geral do Incaper, Alessandro Broedel.

Já a pimenta-do-reino teve aumento de 4,5% nas exportações do primeiro trimestre de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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Os dados são do relatório Exportações do Agronegócio Capixaba, da Seag, que aponta também que o valor médio da comercialização aumentou 83,3%, indo de US$ 3,41/Kg para US$ 6,24/Kg, o que resultou em um crescimento de 164.9% no valor das divisas, que somaram US$ 93,9 milhões. Ainda segundo o relatório, 48 países receberam a especiaria, sendo Vietnã, Emirados Árabes e Senegal os três principais destinos.

Outra especiaria que ganhou peso nesse cenário, segundo o Boletim da Conjuntura da Agropecuária Capixaba, do Incaper, referente ao período de julho a dezembro de 2024, é a pimenta-rosa. Por isso, foi incluída recentemente no levantamento da produção capixaba.

Em 2023 foram registradas apenas 28 toneladas de produção e, em 2024, 755 toneladas, resultando num aumento de 27 vezes na comparação com a produção do ano anterior. Um dos fatores que justificou essa elevação foi a identificação de áreas de cultivo da pimenta-rosa pelos técnicos que participam dos levantamentos de safra.

Inhame é protagonista

O Espírito Santo é líder nacional na produção de inhame e responsável por cerca de 44% de toda a produção brasileira.

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De acordo com a Seag, no último ano, estima-se que a produção de inhame no Espírito Santo tenha sido de aproximadamente 98,5 mil toneladas em uma área de 3,3 mil hectares, com produtividade média de 29,7 toneladas por hectare.

Para o titular da pasta, secretário Enio Bergoli, o uso de tecnologias agrícolas avançadas, como sistemas de irrigação eficientes, práticas de manejo integrado de pragas e variedades melhoradas geneticamente, têm aumentado a produtividade e a qualidade do produto capixaba.

“O inhame é mais um assunto que dá mérito ao protagonismo do Espírito Santo na produção agrícola. Entre os mais de três mil estabelecimentos rurais que produzem a raiz no Estado, 88% são da agricultura familiar. A produção estadual abastece principalmente o mercado interno, mas também avançamos no comércio exterior. No ano passado, o inhame capixaba chegou a 19 países, sendo Estados Unidos e Reino Unido os principais consumidores”, ressaltou Bergoli.

Cerca de 30 municípios produzem inhame no Espírito Santo. Alfredo Chaves lidera, com 28,4% da produção estadual, seguido por Laranja da Terra (27,8%) e Marechal Floriano (9,8%).

Não por outra razão o município de Alfredo Chaves é conhecido como a Capital do Inhame. Cerca de 80% dessa produção vêm de uma região chamada São Bento de Urânia, na zona rural da cidade. A região apresenta clima ameno e solo arenoso, propício para a plantação do tubérculo.

Lá, vive há 50 anos o produtor agrícola Antônio Pianzoli, 60 anos de idade. Ele conta que começou a trabalhar com inhame ainda criança, com seus pais. Hoje, ele, a esposa, o filho e a nora seguem na lavoura, e produzem em média anualmente 140 toneladas de inhame numa área de cinco hectares.

O produto é comercializado em toda Região Sudeste, algumas vezes chegando ao sul do país. Para Pianzoli, o resultado da produção é muito satisfatório, porém o faturamento é muito volátil.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui. 

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