Estado responde por 34% do mamão, 75% do gengibre e 44% do inhame no país, consolidando a produção e a presença nas exportações
Por Kebim Tamanini
Entre oscilações de mercado, avanços tecnológicos e desafios no campo, o Espírito Santo se consolida como um dos principais polos de fruticultura e culturas especiais no país. Mamão, gengibre e inhame estão entre os itens que formam a base dessa força produtiva, com protagonismo nacional que se repetiu em 2025: o estado é o maior produtor nacional das três culturas.
No caso do mamão, é a fruta mais exportada pelo Espírito Santo. O produto teve um crescimento de 17% no valor das exportações em 2025 até outubro, no comparativo com o mesmo período do ano anterior. De US$ 23,2 milhões, o faturamento em vendas internacionais passou para US$ 27,2 milhões. Os dados são da Comex Stat, sistema oficial do governo brasileiro para divulgação de estatísticas detalhadas sobre o comércio exterior do país.
A produção capixaba em 2024, de 398.093 toneladas, representou 34% do total do país, conforme dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e do painel de produção agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Rizoma com fama internacional
Já as exportações de gengibre tiveram uma pequena retração de 7,2% em valor. Entretanto, o estado segue líder absoluto no cultivo e nas vendas para fora do país, responsável por 75% da produção brasileira, segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). No ano passado, o plantio rendeu 77,7 mil toneladas, e a expectativa é que 2025 termine com um volume ainda maior.
O rizoma colhido em terras capixabas tem fama mundial pela qualidade e aroma e, assim como o mamão, é reconhecido pelo alto nível do produto. “O Espírito Santo se destaca e se reafirma como referência nacional nessas cadeias produtivas. Somos liderança consolidada e seguimos avançando”, destaca Ronan Campos, técnico agrícola da Ceasa-ES

Com relação ao inhame, o estado é responsável por 44% da entrega nacional do tubérculo. Somente em 2024 foram produzidas em seu território 95.517 toneladas, de acordo com a Seag. Este ano, o item foi responsável por um valor de US$ 678,5 mil em exportações.
O inhame de Alfredo Chaves, inclusive, possui uma Indicação Geográfica para a variedade São Bento de Urânia, registrada pelo Incaper em 2008. Isso significa que um produto tem qualidade ou característica específica atribuída à sua origem geográfica.
Tecnologia é aliada
Apesar dos bons resultados nessas culturas, o setor agrícola estadual enfrenta desafios — o principal deles, a escassez de mão de obra. “É uma realidade que exige novas estratégias de manejo e profissionalização”, explica Campos. Ainda assim, a tecnologia tem sido aliada fundamental, garantindo eficiência e sustentabilidade à produção.
Essa combinação de tradição, inovação e diversidade mantém o Espírito Santo como referência no cenário nacional.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 231 – Retrospectiva 2025. Leia a edição completa aqui.

