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Qualidade do emprego no Espírito Santo: estamos avançando?

Qualidade do emprego no Espírito Santo: estamos avançando?

Não é sobre quantos empregos estão sendo criados, mas que tipo de empregos estamos gerando e para onde eles estão conduzindo o desenvolvimento profissional dos capixabas

Por Neidy Christo

O Espírito Santo tem apresentado resultados consistentes na geração de empregos e na redução do desemprego. Dados recentes indicam que o Estado alcançou uma das menores taxas de desocupação dos últimos anos, aproximando-se de patamares considerados tecnicamente próximos do pleno emprego. Em abril de 2025, por exemplo, foram criadas mais de 8,5 mil vagas formais em apenas um mês, posicionando o Estado entre os destaques nacionais em crescimento proporcional do emprego, segundo o Novo CAGED.

Esse cenário é positivo e revela dinamismo econômico. No entanto, a pergunta estratégica que se impõe não é apenas quantos empregos estão sendo criados, mas que tipo de empregos estamos gerando e para onde eles estão conduzindo o desenvolvimento profissional dos capixabas.

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A estrutura ocupacional do Estado mostra forte concentração no setor de serviços e comércio, que juntos representam cerca de 68% das ocupações formais, conforme análises baseadas na PNAD Contínua. Esses segmentos têm papel fundamental na absorção da mão de obra e na movimentação da economia, mas, em muitos casos, estão associados a menor complexidade produtiva, salários mais baixos e reduzidas possibilidades de progressão na carreira. Isso significa que o crescimento econômico pode coexistir com trajetórias profissionais mais frágeis e com baixa mobilidade social.

Ao mesmo tempo, há sinais de transformação em setores como logística, economia portuária, indústria de transformação, tecnologia e energias renováveis. Essas áreas apontam para um futuro mais sofisticado e com maior geração de valor agregado. Contudo, a expansão dessas oportunidades depende diretamente de investimentos consistentes em qualificação profissional, inovação e produtividade organizacional. Outro ponto crucial é compreendermos que a formalização, embora essencial, não garante qualidade do emprego.

Trabalhos formais com remuneração limitada e poucas perspectivas de desenvolvimento tendem a gerar desengajamento, rotatividade e menor desempenho coletivo. A qualidade das ocupações passa, necessariamente, por fatores como desenvolvimento de competências, condições de trabalho dignas, saúde mental, respeito, segurança psicológica e liderança preparada para gerir talentos em ambientes cada vez mais complexos.

O debate sobre qualidade do emprego também envolve a inclusão efetiva de grupos historicamente sub-representados em posições de maior qualificação, remuneração e poder de decisão. Mulheres, jovens em início de carreira, profissionais maduros, pessoas com deficiência — física, intelectual, sensorial ou psicossocial — e pessoas negras ainda enfrentam barreiras estruturais que limitam o acesso, a permanência e a progressão profissional. Superar essas desigualdades não é apenas uma agenda social ou reputacional, mas uma estratégia central de competitividade, inovação e sustentabilidade organizacional, capaz de ampliar o potencial produtivo e a diversidade de perspectivas nas organizações.

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O Espírito Santo reúne condições para consolidar um ciclo virtuoso de crescimento com sofisticação produtiva e valorização do capital humano. Para isso, será fundamental alinhar políticas públicas, estratégias empresariais e sistemas educacionais com uma visão de longo prazo.

Mais do que celebrarmos a ampliação das vagas, talvez seja o momento de provocarmos uma reflexão necessária: estamos construindo empregos que transformam vidas ou apenas ampliando ocupações que ocupam, sem transformar?

Neidy Christo é Presidente da ABRH-ES, doutoranda em Administração e consultora em Desenvolvimento Humano

Esse artigo é uma republicação da edição 233 da Revista ES Brasil – ES Em Números. Confira a edição digital completa aqui.

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