Valorização no mercado externo e dólar alto reduzem a oferta doméstica de café, mantendo o produto com alta de quase 10% em 12 meses
Por Amanda Amaral
O custo da cesta básica em Vitória alcançou R$ 756,15, em fevereiro de 2026, com alta mensal de 1,79% e de 1,43% em 12 meses. É a sétima mais cara do país. Entre os produtos que estão puxando a elevação, estão os hortifrutigranjeiros. As informações são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
O conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Vaner Corrêa, explica que o quadro atual da cesta básica em Vitória sugere pressões inflacionárias pontuais, e não um ciclo inflacionário alimentar generalizado. Contudo, ele faz um alerta sobre a duração do conflito entre Estados Unidos e Irão, que impacta países do Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz – por onde escoa em torno de 20% da produção de petróleo na região. “Mas, caso o conflito se acirre mais, poderemos ter aumento do preço de Petróleo que trará aumento de custo para toda a economia”, ponderou.
Tomate
Entre os itens com maior alta em 12 meses destacam-se, o tomate (+28,32%) e a batata (+14,29%). Corrêa explicou que a batata possui três safras no Brasil, e que na entressafra é comum o valor do produto subir. Contudo, o economista destacou que “mais impressionante ainda, o tomate subiu 68% entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026”. No caso específico do tomate, há evidências de três fatores combinados, e Corrêa destaca o impacto de eventos climáticos recentes, como as chuvas intensas do verão brasileiros, além da proliferação de pragas e perdas de safra.
O economista explica que, ao contrário de grãos como arroz ou soja, o tomate tem ciclo produtivo curto e apresenta grande volatilidade de oferta, e pequenas perdas de produção provocam fortes oscilações de preço. Ou seja, ele apresenta picos de inflação seguidos de quedas no valor de forma abrupta. “Subida do preço e expansão do plantio, gerando posteriormente excesso de oferta”, pontuou o economista.
Café solúvel

Já o café registrou alta de 9,67% em 12 meses. Para Corrêa, neste caso, diferentemente do tomate, o café pode permanecer caro por mais tempo. Em sua análise, quando o real se desvaloriza, exportar café se torna mais lucrativo e o preço interno tende a acompanhar o mercado internacional. Corrêa lembra que o café vem enfrentando pressões estruturais globais, especialmente, problemas climáticos ocorridos nos últimos anos nas áreas produtoras, o que afetou sagras consecutivas. “O café passou por forte valorização nos mercados internacionais. A cadeia funciona assim: exportações aumentam; oferta doméstica diminui; e preços internos sobem”, disse.
Inflação alimentar
Na comparação de 12 meses, apresentaram queda o arroz (39%), feijão (-21,5%), leite (-16,8%), açúcar (-16,8%) e farinha de trigo (-11,6%). “Enquanto alguns produtos sobem, vários itens apresentaram queda expressiva em 12 meses. Isso revela um ponto importante, a inflação alimentar não é generalizada. Ela está concentrada em poucos produtos perecíveis. Esse comportamento é típico de períodos em que as commodities agrícolas estão equilibradas, mas há choques climáticos localizados”, disse.

